Hoje técnico da Cabofriense, Valdir Bigode garante não ter mágoa do Vasco, de onde foi demitido há 3 meses


Quase três meses depois de deixar o Vasco, Valdir Bigode irá encontrar o ex-clube. De auxiliar e interino no Cruz-Maltino, ele agora é o treinador da Cabofriense, adversária do jogo deste domingo, em Cariacica, pela Taça Rio. Mas garante: não tem mágoa alguma pela sua saída. Pelo contrário: tem confiança de que um dia irá voltar.

– Fiquei triste nos primeiros dias, depois encaixou bonito. Não tem mágoa nenhuma, com pessoa nenhuma. Entendi o motivo da minha saída, sem problema, tudo tranquilo, espero que continue assim. Quem sabe aí um dia eu esteja dando a volta ao contrário. Eu fiz assim de lá pra cá, posso fazer daqui pra lá. É possível, tudo é possível. Já estive lá uma, duas, três vezes. Tem a quarta, pode ter a quinta. Eu já vi com grandes treinadores acontecendo isso – disse o Bigode.

Os grandes treinadores aos quais Valdir se refere são Abel Braga, Joel Santana e Jair Pereira, entre outros. Eles formam a base de inspiração do treinador, a quem ele chama de “malandros da bola”.

– Vários treinadores que eu peguei eram malandros da bola, tanto que alguns estão até hoje e vão ficar até quando enjoar, porque são inteligentes, espertos, sabem se movimentar naquele espaço sem dificuldade.

A malandragem desses treinadores é um artifício que Valdir tenta usar agora para comandar um grupo de jogadores profissionais. É a primeira grande chance, e os resultados são encorajadores: até agora, são três jogos, duas vitórias e uma derrota – para o Fluminense.

Confira a entrevista na íntegra com Valdir Bigode:

Vida em Cabo Frio

A vida está boa, a gente está levando da forma que tem que se levar, com muita tranquilidade, trabalhando bastante. Cheguei aqui e encontrei uma situação da equipe delicada, hoje, após três jogos, uma situação completamente diferente, de estar fazendo junto à comissão, graças a Deus, um bom trabalho. A vida fora do trabalho também é tranquila, Cabo frio é sossegado, 80, 90% das minhas férias que tive na vida eu vinha para essa região, principalmente Cabo Frio.

Continuidade na carreira

Não é um recomeço, não é um início, eu estou dando continuidade. Só saí da linha um pouquinho, estou ali pertinho. Iniciei no Campo Grande, fui pra ADI de Itaboraí, passei pelo São Pedro, fui para o America profissional, fiquei de auxiliar, depois peguei os juniores. Depois tive o convite do ex-presidente Eurico Miranda para ir para o Vasco. Fiquei por quatro anos, tive seis jogos como treinador interino e me saí bem. Não tive uma derrota nesses jogos.

Agora sou treinador mesmo, não tem jeito mais de voltar. A cada dia de treinamento, pegando ainda mais o gostinho, mais interesse em saber como funciona isso, até porque eu já sabia um lado, juntando com esse lado que eu sabia.

Como treinador tem umas malandragens ali, tem que ser bem mais esperto do que quando jogava, até porque você vai comandar todos, são 30, 40 homens. E a gente tem que estar bem ligado. Mas estou ciente das coisas, estou bem, me sentindo bem e pretendo seguir em frente na carreira.

Malandragens

Tem tantas coisas, eu vou citar uma, senão fico até amanhã aqui: é o modo de se falar. Você tem que ter muito cuidado. Como jogador, não. Você pode falar o que você quiser, vale tudo. Como treinador, você falou, está gravado ali. Quando você joga, é um só falando, quando você é treinador parece que é um só, mas tem 50 pessoas ali que vão gravar tudo o que você está falando, um vai te cobrar a qualquer momento.

Então, você não pode bobear no que fala, tem que ser bem sensato. Pensa no que vai falar, já falando especificamente de campo, montar suas estratégias, trabalhar com a comissão técnica em conjunto, para você não passar alguma coisa errada ou deixar algum tipo de promessa para qualquer um deles, comissão, jogador.

Está pronto para o reencontro com o Vasco?

Estou pronto, pô! Desde que eu nasci. É claro que a gente sabe todas as circunstâncias desse jogo, vai ser maravilhoso encontrar meu time. Já tive isso no passado em outras equipes, agora como treinador. Não vou dizer que vai ser mais um jogo, vai ser um jogo bem diferente, bem especial.

A característica de Valdir como treinador

Característica de jogo é bem relativo devido à equipe que você está. Se eu estiver numa grande equipe, com grande investimento, vou jogar pra frente 100%, não tenha dúvida. Hoje eu me encontro na Cabofriense, uma bela de uma equipe, uma equipe pequena, mas completamente organizada, tudo funciona na medida do possível, dos valores que se usa, tudo funciona. A gente não faz pedido nenhum de contratação louca, porque sabe que não vai conseguir.

Encaixo meu time, meu padrão, dentro daquilo que eu tenho aqui. Fui jogar com um adversário um pouco menor, vou forçar bastante o adversário. Se for um padrão igual, eu já vou segurar, bem tranquilo, bem suave. Se for um grande, já tem que ir mais moderado, beliscar um aqui, outro ali. Também não vou ‘ah, sou heroi, vou de peito aberto’, não… Não é bem por aí.

Inspirações na carreira

O que mais me interessou foi buscar esse passado desses caras, de um Muricy, de um Abel, de um Parreira, um Leão, próprio Joel, próprio Jair pereira. Eu digo próprio porque Jair, Joel e Abel foram os que eu mais trabalhei, então os caras eram a raiz do futebol, o que se criou o futebol de verdade. Vai pra dentro dos caras e quando pegava um maior, opa, peraí, vou segurar aqui também.

Mágoa da saída do Vasco?

Não, cara. Até porque já estive no Vasco uma, duas, três vezes. e sei que posso voltar no futuro. Então vou ter mágoa de quem me projetou? De quem me criou, de quem me deu uma camisa e “olha, você vai virar o Valdir Bigode”? Foi o Vasco. Eu sou vascaíno. Um carinho enorme, vai ser sempre.

Morte de Eurico Miranda

A morte de uma pessoa que me ajudou desde que eu conheci desde menino. Uma pessoa que sempre foi tão polemica em tudo, e tinha que ser, ele criou um grande personagem, foi fantástico nisso. Vai ficar com esse personagem de brabão, “ah, eu sou o cara e tal”, ele gostava disso.

Ele vai ficar paro Vasco para sempre. Talvez você não vai lembrar de mim, de outros jogadores que passaram, mas dele vão lembrar. Personagem fantástico, quem o via de fora achava que ele era arrogante, era isso, era aquilo. Não tinha a oportunidade de chegar perto, os que tinham, como eu tinha, vou repetir a palavra malandragem, malandro da bola. Esperto, inteligente, sabia fazer as parcerias, se dava muito bem com jogador, se ele teve problema com jogador foi meia dúzia de mil, dois mil atletas, normal.

Foi um cara fantástico e para mim, em particular, sempre me estendeu a mão, sempre que precisei. Não só eu. Fiquei muito triste, estou muito triste, mas também sabedor do sofrimento que ele vinha passando há alguns anos, que Deus conforte onde ele estiver e conforte a família dele também.

Fonte: GloboEsporte.com

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