Basquete: Com salários atrasados e alvo de processos trabalhistas, Vasco pode ser excluído da LNB

Campeão brasileiro em 2000 e 2001 e dono de quatro títulos continentais (duas Ligas Sul-Americanas e dois Sul-Americanos de Clubes), o basquete do Vasco vive situação crítica. Não bastasse o mau momento em quadra com ameaça de rebaixamento no NBB (Novo Basquete Brasil), o Cruz-Maltino acumula dívidas e cobranças judiciais na casa dos R$ 3 milhões, o que pode culminar na desfiliação do clube junto à Liga Nacional de Basquete, a organizadora do NBB. Nesta quinta, a equipe do técnico Alberto Bial recebe o Brasília, às 19h, em São Januário. Atual 13º colocado, com 22.7% de aproveitamento, o Cruz-Maltino está à frente apenas do Joinville na classificação.

– O time é bom e tem um potencial alto, os últimos resultados foram negativos devido a erros bobos que não podemos cometer. Está difícil, mas não é impossível de chegar aos playoffs. Vamos continuar lutando. Por mais que nosso foco sejam os playoffs, não podemos nos descuidar. Derrotas seguidas podem nos levar a posição que ninguém quer na tabela, precisamos ficar ligados – disse o treinador vascaíno.

Apesar do otimismo de Bial, o Vasco vem sofrendo uma verdadeira Via Crúcis nos últimos meses. Não bastasse os problemas administrativos, o clube vem penando em quadra com uma sequência de sete derrotas – a última vitória foi em 14 de janeiro contra o Joinville. Internamente, a conversa entre jogadores e comissão técnica gira em torno da continuidade do basquete adulto do Vasco na próxima temporada.

Embora a diretoria negue que esta possibilidade esteja sendo debatida, existe um forte movimento dentro da LNB para que o clube seja desfiliado, o que não permitiria a participação nem na Liga Ouro, a divisão de acesso ao NBB.

– A LNB requer que os clubes enviem uma cópia dos seus contratos de patrocínio comprovando um investimento mínimo para a participação no NBB. Há casos em que, não havendo patrocínio, o detentor do direito associativo pode, em seu próprio nome, dar esta garantia. Este foi o caso do Vasco da Gama nesses anos. O próprio presidente garantiu que o clube honraria com o investimento na modalidade, o que, para a LNB, é suficiente – explicou a Liga em nota.

Enxurrada de ações trabalhistas

Na última semana, o jornal Lance! fez um levantamento das ações trabalhistas do basquete vascaíno desde que o time voltou à modalidade em 2016. São 15 ações trabalhistas somando R$ 3 milhões. Jogadores que passaram pelo clube como David Jackson, Nezinho, Bruninho, Gui Deodato, Gustavo Basílio, Dedé Stefanelli, Marcellus, Drudi, Fúlvio, Hélio, Palácios, Lucas Mariano, Márcio Dornelles, Renato Carbonari e o ex-técnico André Barbosa cobram saldos de salários, férias, 13º proporcionais, FGTS e multas. Ainda há um processo movido pelo pivô Murilo Becker, em tramitação, cobrando os mesmos direitos.

Quando formou o elenco do NBB 2017/18, o Vasco foi com sede ao mercado. Giovannoni e Fúlvio, por exemplo, tinham acordos com o Paulistano. Mas o Cruz-Maltino chegou com propostas acima do mercado e fechou com os dois. O mesmo aconteceu com o pivô Lucas Mariano, que era alvo do Flamengo. O Rubro-Negro saiu do negócio depois da proposta do Vasco.

O elenco deste ano chegou a ficar com mais de três meses de salários atrasados. Há duas semanas, parte foi paga, mas ainda existem débitos com o grupo. Desde o começo da temporada, inclusive, o Vasco perdeu jogadores por questões ligadas a dinheiro. Grande contratação de 2018/19, Desmond Holloway só jogou o Carioca e foi embora sem estrear no NBB, partindo para a Argentina. E o americano Deonta Stocks, que chegou no decorrer da temporada, já saiu, partindo para o São Paulo para jogar a Liga Ouro.

O Vasco voltou ao basquete profissional na temporada de 2015/16, quando venceu a Liga Ouro. O título deu ao clube o direito de jogar o NBB no ano seguinte. Em sua primeira exibição, o clube teve um elenco mais enxuto, com investimento inicial baixo. David Jackson era a grande estrela da companhia. No ano seguinte, buscando estar entre os melhores do torneio, o orçamento beirou os R$ 8 milhões, com a manutenção de Jackson e a chegada da estrelas como Guilherme Giovannoni, Gui Deodato, Lucas Mariano, Nezinho, Renato Carbonari, entre outros. Os salários, contudo, atrasaram como no primeiro ano. Nesta temporada, chegou a ser cogitado em São Januário a saída do Vasco do NBB, situação comentada pelo presidente Alexandre Campello. Mas o Cruz-Maltino reduziu o investimento e permaneceu na disputa.

Entenda as regras da LNB

No regulamento do Novo Basquete Brasil, a Liga Nacional de Basquete explicita que o clube deve “estar em adimplência de todas as obrigações pecuniárias e que também sejam cumpridas todas as condições e prazos estabelecidos pelo Conselho de Administração da LNB para a disputa da competição”. Por isso, é necessário apresentar a “Certidão de Situação Regular de Valores Contratuais”, que contempla justamente a manutenção de salários em dia para jogadores, técnicos e staff. Porém, tal situação só abrange profissionais que possuírem vínculo formal com sua respectiva associação, no caso a Associação de Atletas Profissionais de Basquetebol do Brasil (AAPB).

Dentro desse critério, é possível apresentar a “Renegociação de Comum Acordo”, quando o dirigente do clube responsável pelo fornecimento da informação deverá assinalar essa condição quando a remuneração do respectivo profissional não estiver rigorosamente em dia, mas foi firmado um acordo formal entre as duas partes (clube e profissional) para quitação do débito. Caso isso não ocorra até a data limite, o time pode ser desfiliado e impedido de jogar. Cabe à AAPB fazer a contestação após a apresentação da documentação por parte da LNB.

Procurada pelo GloboEsporte.com, a diretoria vascaína não quis se manifestar sobre os assuntos tratados na reportagem. Por meio da sua assessoria de imprensa, o clube negou que esteja discutindo a possibilidade de deixar a LNB, ressaltando que o “foco do momento” está na disputa dos jogos finais da primeira fase do NBB 2018/19.

As ações trabalhistas

Dedé Barbosa – R$ 100 mil (audiência em abril)
Renato Carbonari – R$ 161.300,00 (acordo feito)
Márcio Dornelles – R$ 60.316,96 (acordo não cumprido)
Lucas Mariano – R$ 267.414,45
Damian Palácios – R$ 132.963,84 (sentença a favor, cabe recurso)
Hélio – R$ 60 mil (acordo feito)
Fúlvio – R$ 315.416,25 (audiência em julho)
Drudi – R$ 400 mil (em trâmites judiciais)
Marcellus – R$ 153.649,48 (audiência em julho)
Murilo – R$ 214.301,77 (audiência em abril)
Dedé Stefanelli – R$ R$ 115.652,62 (audiência em abril)
David Jackson – R$ 336.030,00 (audiência em abril)
Gustavo Basílio – R$ 63.093,60 (audiência em abril)
Gui Deodato – R$ 224.295,97 (audiência em abril)
Nezinho – R$ 305.778,43 (audiência em março)
Bruninho – R$ 40.813,50 (audiência em março)

Fonte: GloboEsporte.com

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