Há 18 anos, Vasco se consagrava tetracampeão brasileiro ao conquistar a Copa João Havelange

Neste 18 de janeiro a Nação Vascaína comemora os 18 anos do inesquecível tetracampeonato brasileiro, conquistado no Maracanã com uma vitória por 3 a 1 contra o São Caetano.

O ano de 2000 havia começado decepcionante para os vascaínos, com três decisões perdidas em seis meses: a do Mundial da Fifa para o Corinthians, em janeiro, a do Torneio Rio-São Paulo para o Palmeiras, em março, e a do Campeonato Estadual para o Flamengo, em junho. A única alegria do primeiro semestre cruzmaltino fora a conquista da Taça Guanabara, ganha com uma espetacular goleada por 5 a 1 contra o Flamengo, com três gols de Romário – um episódio que ficou conhecido com o “Chocolate de Páscoa”.

Para o segundo semestre, a diretoria trouxe o treinador Oswaldo de Oliveira, então campeão brasileiro e mundial pelo Corinthians. Devido a uma disputa judicial entre a CBF e o Gama, o Campeonato Brasileiro não pôde ser realizado com esse nome e o Clube dos 13 criou a Copa João Havelange, com 114 clubes divididos em quatro módulos.

A estreia vascaína não foi boa: uma derrota por 2 a 0 para o Sport em São Januário. A partir daí foram sete partidas sem derrota até o segundo tropeço, contra o Bahia, na Fonte Nova. No jogo seguinte, uma vitória de virada sobre o Fluminense, por 4 a 3, fez com que o time engrenasse de vez na competição, passando mais sete partidas invicto. Nas últimas rodadas, já classificado, o time relaxou, perdeu mais alguns jogos e terminou a primeira fase em quinto lugar.

O adversário nas oitavas-de-final foi o Bahia, 12º colocado na primeira fase. A vaga foi conquistada com um empate por 3 a 3 em Salvador e uma vitória por 3 a 2 em São Januário, no jogo em que Juninho Paulista fez o milésimo gol vascaíno em Campeonatos Brasileiros. Nas quartas de final, contra o Paraná, campeão do Módulo Amarelo, o Vasco venceu o jogo de ida em casa por 3 a 1 e perdeu em Curitiba por 1 a 0, classificando-se pelo saldo de gols. Caso sofresse o segundo gol nesse jogo o Vasco seria eliminado, pois o regulamento dava um peso maior ao número de gols marcados fora de casa.

Nas semifinais o adversário era ninguém menos do que o primeiro colocado da primeira fase, o Cruzeiro, dirigido por Felipão, que esnobara o Vasco antes do campeonato. No primeiro jogo, uma vitória tranquila por 2 a 0 (dois gols de Euller) até os 34 minutos do segundo tempo se transformou num frustrante empate por 2 a 2. O resultado, aliado a um desentendimento entre o então vice-presidente de futebol Eurico Miranda e o técnico Oswaldo de Oliveira, acabou provocando a saída do treinador e a efetivação de Joel Santana.

Poucos torcedores acreditavam que o Vasco pudesse eliminar o Cruzeiro no Mineirão e se classificar para a decisão. Ainda mais porque empates por 0 a 0 ou 1 a 1 dariam a vaga na final ao clube mineiro. O que ninguém poderia prever, porém, era que entre os jogos da ida e da volta um verdadeiro milagre acontecesse: a virada histórica contra o Palmeiras na finalíssima da Copa Mercosul, em que o Vasco perdia por 3 a 0 e virou o jogo para 4 a 3. Esse jogo memorável, que passou para a história como “A Virada do Século”, encheu o grupo de motivação. O resultado foi uma vitória por 3 a 1 (gols de Juninho Pernambucano, Romário e Euller) em pleno Mineirão, que eliminou o clube de melhor campanha da competição diante de 64.287 pagantes, maior público da Copa João Havelange.

O adversário da final foi o então praticamente desconhecido São Caetano, vice-campeão do Módulo Amarelo, que conquistou o respeito de todos ao eliminar, nos play-offs, três pesos-pesados do futebol brasileiro: Fluminense, Palmeiras e Grêmio. O primeiro jogo aconteceu em 27 de dezembro de 2000, no Parque Antártica, e terminou com o placar de 1 a 1, com os dois gols saindo no primeiro tempo. César abriu o placar aos 14 minutos para o time da casa e Romário empatou para o Vasco aos 28.

No jogo de volta, em 30 de dezembro, a queda do alambrado de São Januário após uma briga entre torcedores (acidente que deixou cerca de 170 feridos, três com gravidade) provocou a paralisação da partida aos 23 minutos do primeiro tempo. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu por unanimidade pela realização de um novo jogo.

A partida decisiva foi marcada para o dia 18 de janeiro de 2001, uma quinta-feira à tarde, e teve como palco o Maracanã, que estava passando por obras e teve que ser adaptado às pressas para a “missão”. Não houve cobrança de ingresso; os bilhetes – 60 mil, sendo 20% destinados ao time visitante – foram distribuídos em São Januário e em São Caetano do Sul. Dirigentes do clube paulista tentaram dar parte de seus ingressos para torcidas organizadas de Flamengo, Fluminense e Botafogo, mas por motivos de segurança a idéia não foi à frente.

Na entrada dos times em campo, uma surpresa: o time do Vasco estampava em seu uniforme um vistoso logotipo do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT); era uma retaliação à cobertura dada pela TV Globo ao episódio da queda do alambrado, considerada tendenciosa pela diretoria vascaína. Quando a bola rolou, o forte calor não impediu a correria das duas equipes. O Vasco abriu o placar com Juninho Pernambucano aos 28 minutos de jogo e o São Caetano empatou com Adãozinho aos 36. Três minutos depois, Jorginho Paulista fez 2 a 1 para o Vasco, placar que se manteve até o fim do primeiro tempo.

Deste ponto em diante qualquer empate dava o título ao Azulão. Porém, aos sete minutos do segundo tempo, Romário tratou de tranquilizar a torcida fazendo o gol que não só fechou a campanha com chave de ouro como também garantiu sua primeira artilharia num Brasileirão, com 20 gols. Ao fim do jogo, o Baixinho, que fora campeão do mundo pela Seleção Brasileira na Copa de 1994, declarou: “onde tem alguma coisa pra ganhar em relação a tetra, pode me chamar que eu tô aí”.

O título da Taça João Havelange em 2000 foi o último com status de Campeonato Brasileiro conquistado pelo Vasco. A finalíssima contra o São Caetano também marcou a despedida de Juninho Pernambucano, que, após entrar em litígio com o clube, acertou com o Lyon, da França, onde obteve muito sucesso. O “Reizinho” acabaria por retornar à Colina em 2011.

FICHA TÉCNICA

Competição: Copa João Havelange 2000 (Final – Jogo de Volta).

Data: 18/01/2001 (quinta)
Hora: 16h

Estádio: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).

Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG), auxiliado por José Carlos da Silva Oliveira (RS) e Mílton Otaviano dos Santos (RN).

Público: 60.000 espectadores.
Renda: Não houve cobrança de ingresso.

Cartões Amarelos: Euller 42′ do 1º, Juninho Pernambucano 44′ do 1º e Romário 14′ do 2º (Vasco); Serginho 42′ do 1º, César 43′ do 1º, Gilmar 27′ do 2º e Claudecir 30′ do 2º (São Caetano).
Cartões Vermelhos: –

Gols: Juninho Pernambucano (passe de Romário) 28′ do 1º – Vasco 1 a 0.
Adãozinho 36′ do 1º – 1 a 1.
Jorginho Paulista (passe de Juninho Paulista) 39′ do 1º – Vasco 2 a 1.
Romário (passe de Juninho Paulista) 7′ do 2º – Vasco 3 a 1.

VASCO: Hélton; Clébson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Nasa, Jorginho (Henrique 18′ do 2º), Juninho Pernambucano (Paulo Miranda, intervalo) e Juninho Paulista (Pedrinho 42′ do 2º); Euller e Romário. Técnico: Joel Santana.

SÃO CAETANO: Silvio Luiz; Japinha (Gilmar 21′ do 2º), Daniel, Serginho e César; Claudecir, Adãozinho, Esquerdinha (Zinho 14′ do 2º) e Aílton (Leto 33′ do 2º); Wagner e Adhemar. Técnico: Jair Picerni.

VÍDEO

PÔSTER

Fonte: NETVASCO (texto, ficha), Youtube (vídeo), Reprodução Internet (fotos), Site Mauro Prais (legenda pôster)

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