Campeão do Brasileiro pode receber até 9 vezes mais em direitos de TV do que lanterna; veja como é em outros países

A partir desta temporada, o Campeonato Brasileiro da Série A terá um novo formato de repasse dos direitos de transmissão adquiridos pela televisão.

Algumas regras dessa divisão podem fazer com que um clube campeão receba 9,13 vezes mais que o lanterna da competição, dependendo de algumas variáveis.

Foi que concluiu um estudo realizado pela consultoria E&Y, aplicando as regras do novo modelo ao que aconteceu na temporada 2018.

Vale frisar, no entanto, que a situação atual não é muito diferente da atualidade. Em 2017, por exemplo, Flamengo e Corinthians já receberam 7,39 vezes mais que o Atlético-GO, 20º colocado naquele ano.

Para efeito de comparação, o campeão da Premier League 2017-18, o Manchester City, recebeu 1,58 vezes mais que o último colocado West Bromwich. Já na Bundesliga da mesma temporada, o Bayern de Muniquerecebeu 1,28 vezes o valor pago ao lanterna Colônia.

ENTENDENDO O CÁLCULO

De acordo com o estudo, TV aberta e fechada, considerando valores de Globo e Turner, vão render cerca de R$ 1,1 bilhão aos clubes.

Pelo novo acordo, os repasses serão feitos em três momentos e percentuais:

– 40% será pago de maneira igualitária, mensalmente, sendo 75% entre janeiro e junho e 25% de julho a dezembro;

– 30% será repassado de acordo com o número de partidas exibidas, entre maio e dezembro;

– 30% será repassado de acordo com a colocação na tabela, somente ao fim do torneio, em dezembro.

Além do formato, outra mudança está na comercialização dos direitos nas diferentes plataformas. Direitos para TV aberta, TV fechada, placas de estádios, direitos internacionais e pay-per-view (PPV) são comercializados separadamente.

O PPV deve render R$ 650 milhões aos clubes. Desse total, Flamengo e Corinthians têm um mínimo garantido de 18,5%. O restante será dividido proporcionalmente entre os clubes, de acordo com uma pesquisa nacional. Quem tem mais torcedores recebe mais – o que tende a ampliar o abismo.

Num cenário hipotético, em que aplicamos o modelo a partir de 2019 à classificação do 1º turno de 2018, o Flamengo receberia cerca R$ 263 milhões, contra apenas R$ 29 milhões do Paraná.

DINHEIRO IMAGINÁRIO

Com a mudança, o primeiro impacto será no fluxo dos caixa dos clubes, já que a maior parte das receita só entrará no fim do ano. Em outros termos, um clube só saberá efetivamente quanto receberá por sua participação no Brasileiro no fim do ano.

Tal divisão força os clubes a terem um planejamento financeiro bem mais detalhado, já que só saberão quanto valeu, de fato, a participação deles no torneio no fim do ano. E com um agravante: Os rebaixados não receberão nada além de suas partes nos 40% iniciais.

Para os clubes maiores, o problema não é tão grande quanto é para os menores.

Rafael Tenório, presidente do recém-promovido CSA, por exemplo, pretende tocar a temporada apenas com a parte da divisão igualitária, sem contar com os recursos que serão aportados em dezembro.

“Com esse dinheiro do fim do ano, vou financiar o 2020 do clube. Entraremos o ano que vem com esse afluxo limpo em caixa. Mas, em 2019, não posso contar com um recurso cuja ordem eu nem conheço”, diz ele.

MODELO INGLÊS

Já Mario Celso Petraglia, presidente do conselho deliberativo do Athletico Paranaense, entende que ajustes são necessários na forma de divisão.

“Esse formato só tende a ampliar os abismos entre os clubes de maior torcida e os demais”, afirma o dirigente.

“Os maiores já têm capacidade de geração de receita com merchandising, patrocínios e etc, não têm porque ter uma fatia tão grande da receita”, afirma.

Para Petraglia, a divisão ideal seria: 50%, em vez de 40%, igualitariamente; 25% pelo número de partidas exibidas; e 25% pela colocação na tabela.

“Não precisa inventar nada, este é o modelo aplicado na Inglaterra, que fortalece o campeonato, e não clubes determinados”, diz Petraglia.

Pedro Daniel, consultor da E&Y, concorda que o Campeonato Brasileiro deixa de exercer todo seu potencial de atratividade quando os clubes não se unem para pensar estratégias comerciais do torneio em conjunto, com cada clube negociando isoladamente seus direitos de exibição, por exemplo.

“O Brasileiro é o único dentre os principais campeonatos do mundo que comercializa os direitos de TV em cotas individuais por clube”, diz ele.

Vale lembra que até 2011, a entidade “Clube dos 13”, que agrupava os maiores clubes do Brasil, negociava em bloco os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

No fim de 2010, no entanto, uma implosão no grupo, liderada por Corinthians e Flamengo, não por acaso, colocou fim na entidade.

Os dois clubes de maior popularidade no País entenderam, corretamente, que conseguiriam barganhar valores maiores pelos direitos de transmissão de seus jogos, e foram prontamente atendidos pela Rede Globo, que dividiu, conforme achava adequado, as verbas.

Esse modelo de negociação, que ainda perdura, foi o que permitiu que a Turner adquirisse, por exemplo, os direitos de transmissão dos jogos de alguns clubes em TV fechada. Entre estes está, por exemplo, o Palmeiras, decacampeão brasileiro e atual detentor do título.

Fonte: ESPN

== Escreva um comentário ==

Cartola FC: Liga Oficial Vascaínos Unidos
Participe: Grupo de Debates no Facebook
Curta: Fan Page VU no Facebook
Seja Sócio Torcedor Gigante. Confira os novos planos!