Para liberar Bruno César, Sporting pediu preferência na compra do atacante Talles Magno, de 16 anos


Apenas de ter apenas 16 anos, Talles Magno se acostumou a ter muita responsabilidade desde cedo para seguir o sonho de se tornar jogador profissional. O caminho está pavimentado para ele, que carrega o peso de ser o atacante que o Vasco mais aposta suas fichas para o futuro. O bom desempenho começa a atrair a atenção de clubes da Europa. Para liberar Bruno César para o Vasco, o Sporting pediu – e terá – a preferência em uma possível futura venda.

O ano de 2018 foi o mais importante para a carreira de Talles. Ele teve a primeira convocação para a seleção brasileira sub-17 e assinou o primeiro contrato profissional. E 2019 promete ser ainda melhor, porque ele vai iniciar a temporada na disputa da Copinha, apesar da pouca idade.

Assim como todos os garotos, Talles sonha com a chance de chegar ao profissional, ser campeão e escrever o nome na história do clube. Ele já faz planos para curto prazo… por que não uma dupla com Maxi López?

– Eu já conheci ele, é muito engraçado. É um monstro, treina muito e joga muito. Observei as finalizações dele, que são absurdas. É um monstro para proteger a bola – disse Talles.

Confira a entrevista completa com Talles Magno, a próxima joia do Vasco:

GloboEsporte.com: Como foi sua chegada ao Vasco?

Talles Magno: Eu jogava em uma escolinha no condomínio em que eu morava, em Jacarepaguá, aí surgiu um teste no Vasco e eu passei. Logo depois tinha uma viagem para Portugal, e estavam precisando de atacante. Em duas ou três semanas eu precisava tirar o passaporte de urgência para poder ir. Era muito pouco tempo, eu fiquei nervoso, minha mãe ficou nervosa…

Como conseguiram resolver para que você pudesse viajar?

Claudineia, a mãe: Ele foi fazer o teste e no dia seguinte foi escolhido para o Mundialito. Eu não tinha dinheiro. Disse que ele não ia, que meu filho não sairia de perto de mim. Precisava desta quantia, e para falar a verdade eu deixei até de pagar conta de luz. Rifamos uma camisa do Vasco e vendemos cada rifa a R$ 20. Conseguimos uma parte. O restante quem pagou foi o patrão do meu marido. Foi um grande teste. Depois desse torneio todas as viagens foram pagas pelo Vasco.

O passaporte ficou pronto em cima da hora, alguns dias antes. Foi uma correria para ir buscar. E na minha família ninguém tinha viajado de avião ainda, não tinha quem pudesse passar alguma experiência para ele, que estava com 9 anos.

Como era sua rotina neste início no Vasco? Fez muito sacrifício?

Talles: Eu estava em uma escola pública perto de casa. Saía correndo, ia em casa só trocar de roupa. Não dava nem tempo de almoçar. Eu levava uma marmita e comia rápido dentro do ônibus. Eu treinava à tarde, acaba umas 16h, 17h, aí eu ia para o futsal treinar na parte da noite. Fazia isso sozinho, e minha mãe ficava muito preocupada. Só me buscava à noite. Eu chegava em casa esgotado.

Como era a preocupação de mãe vendo o filho tão pequeno tendo que se virar sozinho?

Claudineia: Era o que tinha, né. Mas ele estava feliz. Nosso único problema era a fatla de dinheiro, mas nunca nos faltou nada. Sempre que precisava, alguém ajudava. Assim fomos indo. Quando ele fez 12 anos, o Vasco passou a dar uma ajuda de custo. Meu outro filho, o Caio, já estava no Vasco e também recebia. Aí as coisas foram melhorando. Depois mudamos para perto de São Januário.

Aí você passou também a estudar na escola do clube, certo?

Talles: Sim. Estudo lá até hoje. Passei de ano (risos).

Claudineia: Está passando ainda…

Talles: Passei sim. Algumas matérias bem, outras nem tanto. Ano que vem continuo a estudar na escola do Vasco, vou para o segundo ano (Ensino Médio).

Como que era ter um irmão mais velho jogando no Vasco também – Kaio Magno?

Ficamos juntos um bom tempo. Atualmente ele está emprestado ao Ceará (vai disputar a Copinha pela equipe cearense).

Quem joga mais?

As características são diferentes. Ele é mais matador dentro da área. Eu saio mais para o jogo pelos lados.

Qual é o jogador que você mais se espelha para sua carreira?

Gosto muito do Philippe Coutinho, até por ter sido revelado pelo Vasco. Não temos as características muito parecidas, mas admiro o fato de ele ser muito centrado desde criança. Teve a família perto para ajudar. Me inspiro bastante nele. Quem eu mais admiro que tinha as características mais parecidas com as minhas é o Ronaldo Fenômeno. Drible e velocidade.

Você começou a pular etapas (categorias). Sempre foi assim?

Não, nunca tinha sido assim. Houve uma época que eu fiquei dois anos só treinando e não pegava jogo nenhum. Mas trabalhei sem desistir. De três anos para cá, fui só evoluindo depois que o técnico Tiagão me deu oportunidades. Depois pulei para o sub-17 direto sem jogar no sub-16 e agora estou no sub-20. Mas nem sempre foi assim.

Quais categorias em que você menos tinha chance?

No mirim, sub-13. No campo. No futsal eu jogava direto, mas no campo eu treinava diariamente e não ia para os jogos. Tinha gente melhor do que eu na época, com mais força e velocidade, e o treinador fazia a opção. Fiquei dois anos nessa luta, mas não larguei. Foi um período difícil, ainda bem que minha família nunca me deixou desanimar.

Depois que comecei a jogar, fui titular o ano todo e artilheiro do Metropolitano. De lá para cá foi tudo melhorando.

O que acha que foi decisivo para você ter mais oportunidades?

Acho que meu empenho dentro de campo, minha força de vontade. Porque isso nunca faltou. Sempre tive garra.

Em sua trajetória na base, quais os momentos mais marcantes? Algum jogo especial, um gol inesquecível…?

Individual acho que foi o prêmio de artilheiro (Metropolitano). O gol mais importante acho que foi este ano, pelo sub-17. A gente precisava de uma vitória para chegar na final, e conseguimos fazer 2 a 1 no Botafogo. Eu fiz o gol da virada.

Este ano também foi especial pela assinatura do primeiro contrato profissional…

Fiquei muito feliz mesmo. Agora posso ajudar mais minha família. Quero melhorar ainda mais para ajudar ainda mais nas outras etapas da minha vida.

E como foi a experiência de defender a seleção brasileira?

Foi uma surpresa. Minha primeira convocação foi esse ano, no sub-17. Foi uma surpresa, porque ninguém falava de Seleção comigo. Segui trabalhando focado. Eu ficava na esperança, mas nunca era chamado. Mas fiquei super feliz. Trabalhei muito, uma experiência incrível. Tudo é top. Fizemos amistosos. Na segunda convocação fui para os Estados Unidos. Não fomos campeões, mas foi uma grande experiência.

Lembra como foi contar para a família que iria defender o Brasil?

Minha mãe estava na igreja na hora (risos). E não foi o Vasco que me avisou da convocação. Eu estava na cama mexendo no celular e me mandaram uma mensagem no Twitter parabenizando. Aí quando eu vi a lista e meu nome estava lá, um dos últimos, eu comecei a pular, gritar, correr dentro de casa. Aí me perguntaram o que estava acontecendo e eu só consegui dizer: “Peguei Seleção”. Foi um dia muito feliz.

Chegar na Granja Comary, onde tantos craques já passaram, foi um sonho?

Sim, foi um sonho. Desde criança sonhava ser convocado. Hoje posso passar por isso. Hoje estou tentando seguir o caminho dos meus ídolos. Primeira coisa que fiz foi agradecer a Deus quando cheguei lá.

A sua geração é muito elogiada no Vasco. Como é a relação entre vocês? Tem alguém que você é mais próximo?

Não temos rixa dentro do grupo, apenas amizade. Claro que uns são mais próximos. O mais próximo a mim é o Riquelme (lateral-esquerdo), que também defende a Seleção. Mas todos os outros são parceiros também. É um grupo promissor, porque sempre procura solucionar as adversidades juntos. Corremos uns pelos outros.

Como que é vocês dois serem os mais novos do time?

Nos tratam do mesmo jeito do que os outros do sub-20. Se tiverem que dar bronca, vão dar. Academia é tudo igual também. Não tem moleza. Fico feliz de ser uma dos escolhidos para estar no grupo.

Qual o grau de ansiedade para disputar a Copinha, uma competição em que todos vão estar de olho?

Estou me empenhando bastante nos treinos para poder estar no grupo. Se eu estiver mesmo na relação, vou ficar muito feliz e tentar dar meu máximo para ir longe com o Vasco. Queremos o título.

Já dá para pensar em um lugar no profissional?

Eu tenho trabalhado bastante. Claro que a cabeça de todos é chegar lá. Quando minha hora chegar, quero estar bem preparado para aproveitar a oportunidade.

O Paulinho é um bom exemplo para você…

Sim, a subida dele foi muito rápido e já foi vendido. É um espelho também. Vou fazer o máximo possível para chegar no profissional. O Paulinho é dois anos mais velho do que eu, não tínhamos tanto contato, mas já treinei com ele.

O Vasco tem uma tradição grande de ter grandes artilheiros, como Romário, Dinamite… No dia a dia você sente que olham para você com um cuidado especial?

odos são tratados iguais. Mas focamos nessa revelação de atletas. Vou dar meu máximo para ser mais um desses grandes revelados pelo Vasco.

Quais são seus próximos planos a curto, médio e longo prazo?

Agora quero ir para Copinha. Depois quero chegar no profissional, vou me empenhar ao máximo para chegar lá e aproveitar da melhor forma. Meu sonho é ser campeão pelo Vasco e dar alegria para essa torcida.

Tem alguma liga ou clube que você gostaria de jogar em algum momento da carreira?

A Libertadores é marcante. Meu sonho é ganhar uma Libertadores pelo Vasco.

O seu estilo de corte de cabelo é inspirado em alguém?

Não (risos). Desde pequeno que uso assim.

Fonte: globoesporte

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