Confira o cenário político do Vasco em nova eleição; Campello não deve se lançar candidato, mas pode declarar apoio a vascaíno influente

Bastou a juíza Glória Heloíza Lima da Silva, da 29ª Vara Cívil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, decretar na última sexta-feira a anulação da eleição de novembro de 2017 e determinar um novo pleito para o dia 8 de dezembro de 2018 que as peças do tabuleiro político vascaíno começaram a se mexer. Até o momento, os movimentos tendem para uma disputa entre três ou, no máximo, quatro chapas caso o pleito realmente aconteça. Vale lembrar que a liminar cabe recurso, algo que já foi feito pelo próprio Vasco e por um conselheiro de maneira individual, estando os dois, atualmente, no status de análise pela Justiça.

Campello tende a não se lançar

Presidente do Vasco que, por conta da atual decisão judicial, se encontra na condição de interino, Alexandre Campello, a princípio, não se lançará como candidato caso aconteça uma nova eleição por determinação do tribunal. A situação, porém, ainda está sendo estudada pelos grupos que hoje compõe a base da diretoria administrativa. Um dos mais importantes, que é a “Cruzada Vascaína”, pode despontar com um representante próprio nas urnas.

Nos bastidores, todavia, há quem diga também que Campello tenta uma “carta na manga” para declarar apoio, que seria um nome de impacto ou junto à torcida ou junto ao ambiente político vascaíno.

Sempre Vasco, de Brant, desponta como favorita

Grupo de oposição que chegou a vencer a votação entre os sócios em 2017 – mas que perdeu no Conselho Deliberativo após Alexandre Campello romper a aliança e se tornar presidente – o “Sempre Vasco” desponta novamente como favorito num possível novo pleito aos associados. Embora ainda não confirme oficialmente, ele deve lançar novamente Julio Brant como candidato.

Receosos em sofrer uma nova derrota entre os conselheiros, algo que jamais havia acontecido na história do clube, seus integrantes têm se precavido e feito articulações entre os membros natos do Deliberativo seja por meio de reuniões ou em forma de pesquisas. Na linha de negociações, tentam costurar um apoio de José Luiz Moreira, ex-vice de futebol de Eurico Miranda e figura influente na política cruzmaltina.

Em paralelo, apostam num grupo de 120 conselheiros coesos e imbuídos em garantir a totalidade de votos de sua chapa na sede da Lagoa em caso de vitória nas urnas em São Januário. Se isso acontecer, bastaria obter mais 31 votos entre os natos para sacramentar a vitória.

Vale lembrar que ano passado a “Sempre Vasco” e o grupo de Campello se aliaram para vencer Eurico e dividiram igualmente as cadeiras dos 120, mas com o rompimento de Alexandre na votação no Deliberativo e o apoio recebido dos conselheiros de Miranda, os votos perdidos por Brant fizeram diferença na contagem final.

Agora, todos os 120 nomes já estão pré-selecionados e são diretamente ligados a Julio. Os líderes do grupo afirmam que não negociarão sob hipótese alguma cadeiras com outros grupos que queiram se aliar. Eles, no entanto, não descartam apoio técnico mesmo que a pessoa seja de um outro grupo político. Ou seja, caso o trabalho de algum integrante da atual diretoria tenha sido avaliado como positivo, ele poderá permanecer no cargo uma vez que a “Sempre Vasco” chegue ao poder. Adriano Mendes, vice de Controladoria, por exemplo, é visto com bons olhos pela chapa.

União entre Casaca e Identidade Vasco

Outra via possível numa disputa é uma chapa formada pela união dos grupos “Casaca” e “Identidade Vasco”, que se aproximaram justamente na eleição entre os conselheiros do ano passado para juntar votos e dar a vitória a Alexandre Campello. Ainda não há um nome de consenso, mas surge uma corrente forte por Luis Manuel Fernandes, ex-presidente do Conselho Deliberativo na gestão anterior.

Os grupos têm se posicionado da mesma maneira nas últimas reuniões e nas articulações nos bastidores do clube. Para alguns de seus integrantes, a formação de uma chapa única entre eles poderá significar uma virada na votação entre os conselheiros na Lagoa assim como aconteceu no fim do ano passado.

Antigo e fiel apoiador de Eurico Miranda, o “Casaca” muito provavelmente não poderá ter o ex-presidente como candidato em função de seu delicado estado de saúde, embora algumas interpretações jurídicas apontem que o experiente dirigente tem condições legais de se candidatar.

Vale lembrar que na decisão da juíza, há um item em que se destaca o impedimento “para votar e serem votados todos os subscritores da Chapa Azul”. O decreto não soou claro a todos, mas caso todos os 160 nomes que constavam na cédula azul no dia da eleição em novembro de 2017 estejam barrados, praticamente todos os integrantes do “Casaca” estariam proibidos de participar do pleito de dezembro.

Em seu site oficial, porém, o grupo não interpretou desta forma e considerou como “subscritores” somente os três nomes que apresentaram a chapa administrativamente. No caso, Fernando Lima Portela, João Carlos Nóbrega e Marco Antônio de Amorim Monteiro. O “Casaca” avisa ainda que irá à Justiça buscar a reversão da punição bem como a reparação do ato.

O “Identidade Vasco” se coloca como oposição a Alexandre Campello desde que 13 de seus integrantes se desligaram da atual diretoria por divergências administrativas.

“Independentes” podem formar chapas

A via alternativa que começa a surgir é de uma mescla entre conselheiros que se desligaram de seus antigos grupos políticos com outros grupos menores. Estão na lista dos que se insurgiram o ex-vice de futebol Fred Lopes e o ex-vice de obras e engenharia Felipe Videira, que se desligaram da Identidade Vasco. A dupla não concordou com os rumos que a “IV” tem tomado e pode carregar outros para o mesmo lado que não estão satisfeitos com a proximidade com o “Casaca”.

Fred Lopes, aliás, se reuniu no último fim de semana com Eduardo Cassiano – que cogita se candidatar – e Otto Carvalho, figura que de um ano para cá se notabilizou por embates com Eurico Miranda e seus apoiadores.

Otto, porém, garante não ter tomado ainda uma posição para a eleição e não descarta também se lançar como candidato, embora não seja sua prioridade no momento. O benemérito, que ganhou notabilidade da última eleição para cá, garante ter sido procurado por outros grupos políticos também.

Eurico adota o discurso de paz

Figura que ainda tem bastante peso e influência na eleição vascaína, Eurico Miranda foi categórico na saída da última reunião do Conselho Deliberativo dizendo que não irá se candidatar. O ex-presidente preferiu frisar que tenta realizar uma “pacificação” no Vasco.

“A única coisa que eu faço questão de dizer é que vou promover a pacificação de todas as correntes no Vasco”, disse.

Porém, seu filho Eurico Brandão, o Euriquinho, ex-vice de futebol, tem se posicionado de forma mais clara e dura. Em suas últimas postagens no Twitter ele deixa clara sua oposição à “Sempre Vasco” e a Alexandre Campello, dizendo, inclusive, que o “odeia”.

Fonte: UOL

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