Vasco tem ligação afetiva com o Museu Nacional, que sofreu incêndio no último domingo

A área que abriga o Museu Nacional poderia ter sido incluída nas obras da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, mas a revitalização da região ficou no condicional. Na febre das grandes intervenções por conta de megaeventos, a região da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, foi protagonista de um projeto ambicioso que nunca saiu do papel.

Em setembro de 2010, Eduardo Paes, então prefeito do Rio de Janeiro, anunciou um projeto grandioso de transformação das redondezas que previa a ligação direta entre o Maracanã e a Quinta, um dos principais parques da Zona Norte carioca. O plano incluía a duplicação da área em que está situada o Museu Nacional, e uma enorme passarela uniria os dois pontos vizinhos.

De tão grandiosa que seria a obra, a via foi apelidada de “praçarela”, mas os altos custos, a necessidade de demolições e a inviabilidade técnica da ideia fizeram o plano ser abandonado. A ligação, que não era uma obra necessária para a realização dos eventos, teria projeto de paisagismo do escritório Burle Marx, cujos representantes não foram encontrados. Um dos cabeças da empreitada, Alexandre Pinto, ex-secretário municipal de Obras, foi preso no âmbito da Operação Lava Jato por suspeita de recebimento de propinas nas obras do BRT.

“A passarela complementava a requalificação do entorno do Maracanã, que transformou toda área em volta do estádio em um grande espaço para lazer e prática de esportes”, disse ao UOL Esporte Eduardo Paes, candidato ao governo do Rio, por meio de sua assessoria de imprensa.

De acordo com o cronograma divulgado pela Prefeitura do Rio, a primeira fase da revitalização previa implementação de piso em mosaico de pedras portuguesas no entorno do Maracanã. Já num segundo momento, um parque público com quadras esportivas, bosques e lagos seria construído.

De tudo que estava inicialmente em pauta, o projeto teve sucesso apenas na reforma do estádio e na mudança da área que cerca o principal palco do futebol brasileiro, e na construção de uma passarela que serviu para o transporte de convidados VIP da Fifa para os jogos do Mundial e como área de hospitalidade durante o período olímpico. Sem muita função para o cotidiano dos cariocas, a obra que custou R$ 109 milhões, é um ponto perigoso e ocupado frequentemente por usuários de drogas.

“Muito mais do que preparar o entorno do estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014, a Prefeitura do Rio, na época, fez intervenções para melhorar a vida dos moradores e frequentadores do bairro, que passaram a ter uma área de lazer requalificada e maior acessibilidade de um lado a outro da linha do trem da Supervia. No entorno do Maracanã, 2 mil metros quadrados de passeios e calçadas passaram por ampla reestruturação, o que tornou a região mais inclusiva e acessível”, completou Paes.

Com a recessão brasileira, a renovação da área vizinha ao Museu Nacional foi assunto arquivado e não há intervenções ou melhorias previstas.

Flamengo e Vasco: ligação afetiva com o Museu Nacional

Dois dos quatro grandes do Rio de Janeiro têm uma ligação mais íntima com o espaço incendiado. O Flamengo tem em seu estatuto uma cláusula que prevê a doação de todo seu patrimônio ao museu em caso de dissolução do Rubro-negro.

O Vasco, por sua vez, tem uma relação de vizinhança com a área, já que São Januário está a poucos metros da Quinta da Boa Vista. Pesa a favor da intimidade cruz-maltina com o local a origem lusitana de ambos, já que a Quinta serviu de casa para a família imperial.

Além da manifestação pública do Vasco pelo incidente, o Fluminense também usou seus canais oficiais para lamentar a tragédia que destruiu grande parte das 20 milhões de peças do acervo do museu.

Fonte: UOL

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