Parte de receita com mecanismo de solidariedade de Alex Teixeira não consta no balanço do Vasco


Há uma pergunta sem resposta em São Januário: onde está parte do dinheiro referente ao mecanismo de solidariedade da Fifa de Alex Teixeira? O Vasco diz ter recebido R$ 6 milhões por causa da última transferência do jogador, em fevereiro de 2016, mas apenas R$ 1,7 milhão constam como receita no balanço publicado no ano seguinte. Dessa forma, R$ 4,3 milhões não foram registrados na contabilidade do clube.

Alex Teixeira foi vendido pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, ao Jiangsu Suning, da China. De acordo com o balanço publicado pelo Shakhtar, a transferência custou aos chineses 50 milhões de euros. Como clube formador do meia-atacante dos 12 aos 20 anos, o Vasco teria direito a 3,5% dessa quantia, 1,75 milhão de euros, ou cerca de R$ 7,8 milhões, na cotação da época.

Foi durante a gestão de Eurico Miranda que o Vasco teve direito à parcela como clube formador de Alex. Logo depois da transferência do jogador para a China, os dirigentes da época já passaram a contar com o dinheiro. Marcos Motta, advogado que presta serviços ao clube, foi o responsável por dar entrada junto à Fifa para que os chineses repassassem a quantia que o clube formador tinha direito. Ele disse ao GLOBO que a transferência bancária aconteceu.

Consultada, a atual diretoria do Vasco confirmou que R$ 5.985.269,22 entraram na conta do clube em maio de 2016 referentes a Alex, e que vai apurar o que pode ter acontecido no momento do lançamento no balanço de 2016.

Isso porque apenas R$ 1.758.727,00 foram declarados. Eurico Brandão, filho do ex-presidente Eurico Miranda e vice-presidente de futebol na época, afirmou que o dinheiro entrou no Vasco e que não sabe o motivo de não constar no balanço financeiro.

Procurado, Miguel Antônio Vaz, contador na gestão Eurico, afirmou não ter tempo para atender a reportagem. Marcos Pereira de Carvalho, vice-presidente de finanças na época, lembrou que a prestação de contas foi aprovada pelo Conselho Deliberativo.

– Você tem que falar com quem está no Vasco. Eu não tenho acesso aos números. Esse balanço foi votado.

O documento foi aprovado em votação no Conselho Deliberativo em dezembro do ano passado, depois de o Conselho Fiscal ter recomendado sua reprovação em setembro. Otto de Carvalho Júnior era o presidente do órgão na época e candidato à presidência do Vasco, em oposição a Eurico.

– Não senti falta do dinheiro do Alex Teixeira na época. Mas havia inconsistência nos documentos, vinham atrasados.

Problema com Profut

Rodrigo Albuquerque, sócio da empresa de auditoria Mazars, com atuação em entidades desportivas no Brasil, alertou que a apresentação de demonstrações financeiras inadequadas pode ser considerada uma infração ao Profut, programa que, em troca de renegociação de dívidas com a União, obriga à divulgação transparente das informações de gestão.

– A omissão de uma receita nos balanços pode estar relacionada a um erro ou a uma fraude, sendo a intenção o elemento que distingue um do outro.

Fonte: O Globo Online

 

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