Yago Pikachu fala sobre sua trajetória no Vasco, fase como artilheiro e sonho com a Seleção

Yago Pikachu comemorando gol pelo Vasco em 2016

São 16 gols na atual temporada e 25 em dois anos e meio de Vasco. Maior lateral-artilheiro do século no Gigante da Colina.

Tamanha vocação em balançar as redes adversárias o credenciou a jogar mais adiantado, quase como um atacante.

Virou xodó da torcida, que pede sua convocação para a Seleção.

Conversamos com o paraense mais famoso do Rio de Janeiro: Yago Pikachu, destaque cruzmaltino em 2018 e titular absoluto do time carioca.

Confira o bate-papo:

NewsColina: Você chegou ao Vasco em 2016, ano em que o clube jogaria a Série B, ou seja, teoricamente não estava num momento tão bom no cenário nacional quanto outros clubes grandes que o sondaram na época. O que o levou a escolher o Vasco?

Yago Pikachu: Realmente houve o interesse de algumas equipes naquela época, mas só recebi uma proposta oficial, que foi do Bahia, de resto não houve nada de concreto. Logo em seguida, recebi a proposta do Vasco e, por sua grandeza, não pensei duas vezes em aceitar, mesmo sabendo que o clube iria jogar a Série B naquele ano. Pela sua grandeza, sua história, eu escolhi o Vasco, não me arrependo e hoje, graças a Deus, estou fazendo bem meu trabalho aqui.

NewsColina: Ainda sobre 2016, você foi contratado sob grande expectativa, mas demorou a ‘deslanchar’ no time e não conseguiu se firmar como titular constante naquela temporada. Quais foram as principais dificuldades enfrentadas por você em seu primeiro ano de Vasco?

Yago Pikachu: Quando eu cheguei no Vasco, sabia que tinha que lutar meu espaço. Naquele ano de 2016, mesmo com a queda para a Série B, houveram poucas mudanças no elenco, chegaram somente eu e Marcelo Mattos, então eu sabia que tinha que brigar para conquistar meu espaço.

E minha adaptação foi um pouco demorada, mais do que eu imaginava, até pelo fato do meu primeiro gol ter saído apenas na Série B, em julho. Então, esse problema da adaptação foi um fator que me dificultou bastante, mas creio que isso foi superado e hoje estou totalmente integrado ao clube e à cidade. Não sinto tanta falta de Belém quanto sentia em 2016.

NewsColina: Em 2017, apesar de você ter jogado menos partidas que em 2016 (42 contra 46, respectivamente), seu número de gols foi maior (5 contra 4) e seu desempenho dentro de campo foi mais satisfatório, e isso pode ser resumido em sua ótima atuação contra a Ponte Preta, em São Januário, na última rodada do Brasileirão. Como foi a emoção de ajudar o clube a voltar à Libertadores após 5 anos de ausência, jejum esse que incomodava bastante os torcedores vascaínos?

Yago Pikachu: Realmente, em 2017 joguei menos vezes mas, curiosamente, fiz mais gols. Pelo nível do Brasileirão (2017), muita gente não acreditava que nós tínhamos capacidade de chegar onde chegamos, isto é, na Libertadores. Muitos falavam que estávamos na competição apenas brigando para não cair.

Me lembro bem que, depois da chegada do Zé Ricardo, a equipe teve uma evolução muito grande, principalmente no returno do campeonato, onde o Vasco foi o segundo melhor time, perdendo apenas para a Chapecoense e por eles terem uma vitória a mais somente.

Então, foi fantástico para nós, jogadores, levar o clube de volta à Libertadores, principalmente pois duvidavam da nossa capacidade. Foi um objetivo alcançado muito importante para todo mundo.

NewsColina: Em 2018, com certeza, você vive seu auge desde que chegou ao Vasco. Além da quantidade de gols feitos até aqui (16), tornando-se o maior lateral-artilheiro do clube no século com 25 gols e o quarto maior artilheiro do Vasco na história da Libertadores, igualado com nomes como Romário e Roberto Dinamite, você virou referência dentro de campo e até capitão na ausência de Martín Silva. Inclusive, atualmente, a torcida vascaína diz que o time é “Pikachu e mais 10”. Considera esse o melhor momento individual de sua carreira ou a temporada de 2015 no Paysandu foi superior?

Yago Pikachu: Se tratando de números e consequentemente conquistas pessoais, meu ano de 2018 está sendo o melhor. Fico muito feliz de ter alcançado algumas marcas: lateral vascaíno com mais gols no século, quarto maior artilheiro do clube na Libertadores… E isso porque disputei apenas uma, então realmente é um número muito bacana. Mas eu devo tudo isso que estou passando aos meus companheiros, que sempre me ajudam bastante.

Sobre a faixa de capitão, para mim foi uma surpresa. O Martín estava na seleção uruguaia e alguns jogadores mais experientes, como Wagner, Breno e Ramon, estavam ausentes em alguns jogos, então o Zé Ricardo me deu essa responsabilidade de ser o capitão. Mas para mim foi uma felicidade ser escolhido uma das referências. Foi uma honra muito grande.

Ainda não cheguei ao número de gols que fiz em 2015 (20), esse ano estou com 16, mas pretendo lutar e acredito que seja possível alcançar essa marca. Porém, sempre com o pensamento coletivo em primeiro lugar, jamais uma meta individual à frente do coletivo.

NewsColina: Qual considera sua atuação mais marcante com a camisa do Vasco? E o gol mais bonito?

Yago Pikachu: Têm duas atuações que eu considero as mais marcantes: esse próprio jogo contra a Ponte Preta, citado anteriormente, pela última rodada do Campeonato Brasileiro ano passado, e o primeiro jogo contra o Jorge Wilstermann-BOL, esse ano, no qual ganhamos de 4 a 0. Essas duas atuações foram muito especiais para mim.

Gol mais bonito, eu escolho um de 2016, contra o Joinville, em São Januário, na Série B, no qual eu pude roubar a bola e fazer um belo gol (confira no vídeo abaixo).

NewsColina: Apesar de você ainda ser considerado lateral, há tempos não joga com frequência e exclusivamente nessa função. Além de ser aproveitado como ponta-direita no Vasco, justamente por conta de sua ofensividade, até como ponta-esquerda você costuma atuar em alguns momentos dos jogos. Afinal, em qual posição/lado do campo se sente mais à vontade atualmente?

Yago Pikachu: Eu sempre deixei claro minha posição de origem, que é a lateral. Assim que cheguei ao Vasco, o Jorginho, que era o técnico na época, conversou comigo e falou que poderia me utilizar mais avançado, pela minha característica ofensiva, de chegar na frente e fazer gols, e naquele momento eu aceitei, até pelo fato de estar chegando no clube e querer buscar meu espaço, fosse na lateral ou no meio.

Hoje em dia, eu me sinto muito à vontade jogando tanto na linha de trás quanto na linha de frente. Não tenho preferência. Sempre deixei claro que minha posição de origem é a lateral, mas se for o caso de jogar como meia-atacante, como eu tenho jogado, ou se tiver que voltar à lateral, não vai ter problema nenhum. O importante é sempre estar ajudando.

NewsColina: Sobre seleção brasileira, por conta de seu ótimo momento no Vasco, seu nome eventualmente é cogitado/sugerido. Na última convocação, a primeira pós Copa, existia uma esperança de que você estivesse na lista, mas acabou não acontecendo. Ficou alguma frustração? Você, particularmente falando, realmente tinha essa esperança?

Yago Pikachu: Não, de forma alguma houve frustração. Os atletas chamados têm seus méritos. Claro que, pelo momento que eu venho passando, sempre há uma esperança, até porque vai ter a reformulação de alguns jogadores, de algumas posições, então você sempre se coloca ali no meio, fica esperançoso. Mas frustração nenhuma.

Vou continuar trabalhando da mesma forma que venho fazendo, para quem sabe um dia, se a oportunidade aparecer, eu aproveitar da melhor maneira possível. Só de ser cogitado, da imprensa e torcedores estarem falando, para mim já é gratificante. O importante é eu estar ajudando o clube para, quem sabe, a oportunidade surgir no futuro.

NewsColina: Ainda sobre Seleção, no caso de uma futura convocação, sabendo que a concorrência na parte ofensiva (ponta) é pesada e que na lateral não é tanto assim, gostaria de disputar posição/ser convocado como ponta ou lateral?

Yago Pikachu: Eu penso que o importante é ser convocado, seja lá a posição que for. Se um dia eu for convocado como goleiro, eu vou estar feliz da mesma forma (risos). Claro que, jogando na linha de frente, você tem que ser diferente dos outros, tem que fazer gols, participar de jogadas o tempo todo, e a nossa Seleção está muito bem servida de jogadores de lado de campo, muitos que jogam na Europa, então sei que a concorrência é muito grande jogando adiantado.

Na lateral, talvez nem tanto, é uma posição que tem carência no Brasil. Então, não sei se um dia eu for convocado, se será como lateral ou ponta, deixo isso a critério do treinador que possivelmente for me convocar. Como falei, o importante é estar entre os convocados, seja lá a posição que for.

NewsColina: Recentemente, você renovou contrato com o Vasco por mais três anos, ou seja, até dezembro de 2021. Sabemos que, no Brasil, por conta do forte assédio do futebol estrangeiro, seja da Europa ou de mercados secundários (mas não menos poderosos financeiramente), ter contrato longo com um clube não é garantia de que irá cumpri-lo até o final. As vezes, a proposta chega e é muito boa tanto para o atleta quanto para o clube, daí fica muito difícil segurar. Enfim, qual sua pretensão para o futuro? Pretende se ‘imortalizar’ no Vasco ou tem o sonho de jogar no exterior?

Yago Pikachu: Cara, eu acho que todo jogador sonha em jogar na Europa. Comigo não é diferente. Mas eu tô muito feliz aqui no Vasco, renovei meu contrato até 2021.

É claro que, como você mesmo falou, essa questão do contrato renovado não é uma garantia. Daqui a pouco pode aparecer uma proposta fantástica para mim e para o clube, e fica difícil segurar. A gente sabe que o clube não vive um bom momento financeiramente, está se reconstruindo aos poucos, então não se sabe o dia de amanhã.

Caso apareça uma oportunidade de sair, que seja boa para mim e principalmente para o clube, é um caso a se pensar. Mas enquanto isso, vou dar meu máximo aqui no Vasco, como já venho fazendo, e, caso a proposta não apareça, eu pretendo sim cumprir meu contrato até o fim e ajudar o clube a conseguir seus objetivos.

NewsColina: Para encerrar: no ano que o Vasco completa 120 anos, como é o sentimento para você de ser considerado o principal nome do time no momento? E qual a pretensão do elenco para o restante da temporada, agora com somente o Campeonato Brasileiro para disputar?

Yago Pikachu: Nós lamentamos muito o fato de só termos o Brasileiro para disputar no momento. Tínhamos total convicção de que poderíamos ter chegado um pouco mais a frente na Sul-Americana. E nossa pretensão é sim chegar à Libertadores novamente, é isso que a gente busca. O campeonato tá muito equilibrado, já desperdiçamos alguns pontos importantes, mas temos praticamente o segundo turno todo ainda pela frente para alcançarmos nossos objetivos.

E sobre minha fase, eu não me considero o principal nome do time, não. Se estou vivendo esse bom momento é graças ao trabalho de todo o grupo. Compartilho com eles essa minha boa fase. É um prazer imenso estar vestindo essa camisa, fazer parte dessa grande história que é o Vasco.

Camisa 22 logo após marcar seu quarto gol na Libertadores, contra a Universidad de Chile, que o igualou a Romário e Roberto Dinamite
Fonte: NewsColina
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