Um título e várias voltas por cima: as histórias do Vasco campeão da Taça GB sub-20

Mal soou o apito decretando o fim do jogo e o título do Vasco da Taça Guanabara Sub-20 com a vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, e Ricardo Graça correu ao encontro da família, que estava na arquibancada das Laranjeiras. O zagueiro, um dos destaques do time no campeonato, caiu no choro, depois na resenha com os companheiros, levantou a taça. O abraço em Bruno Cosendey, volante da equipe, e o diálogo entre os dois mostra um pouco do que foi a campanha cruz-maltina.

– Você merece isso pra c… – Foi a frase ouvida, num abraço que ilustra uma cena inimaginável há três meses.

Em janeiro, os dois voltaram ao Vasco após uma experiência difícil no Vitória de Guimarães, em Portugal. Duas apostas do gerente da base do clube, Álvaro Miranda, até agora muito bem sucedidas. Ambos sem ritmo de jogo, há mais de um ano sem jogar. Entrariam em um time que foi mal na Copa São Paulo, eliminado na terceira fase. Para piorar, Ricardo torceu o tornozelo dois dias antes da estreia da equipe na Taça Guanabara, contra o Fluminense. Ficou mais duas semanas de molho.

– O Ricardo tem essa qualidade, de nunca desistir, e esse sempre foi o sonho sele. Eu sou só um alicerce. O esforço todo e o mérito dessa conquista, de poder viver esse momento, é dele. A minha vitória é ter o filho maravilhoso que eu tenho – diz Luiz Eduardo Graça, o Duda, pai do zagueiro, que vai a todos os jogos do filho.

A volta dele aos gramados aconteceu contra o Bonsucesso, no dia 3 de março. Vitória vascaína por 3 a 0. Antes, o time sofria com problemas defensivos e chegou a ser derrotado pelo mesmo placar pelo Volta Redonda. Perdeu também para a Portuguesa-RJ por 2 a 1. E chegou a ver a classificação para a semifinal correr riscos.

A entrada de Ricardo ajudou a resolver esses problemas, e contribuiu também o crescimento de Bruno Cosendey, que cresceu muito durante a competição. Camisa 10 de todas as categorias pelas quais passou até os juvenis, Bruno era muito criticado por uma postura displicente na marcação. Mudou a atitude. Atualmente, joga com a 7, marca e distribui o jogo com competência, além de fazer belos gols, como o marcado contra o São Paulo pela Copa do Brasil Sub-20. Na hora de comemorar o título, ele resumiu o sentimento com uma palavra apenas.

– Felicidade. É tanta coisa que passa pela nossa cabeça, que eu quero falar, mas acho que essa palavra define o que estou sentindo agora.

O título vascaíno, naturalmente, não passa só por Ricardo (hoje o melhor zagueiro sub-20 do Rio de Janeiro) e Bruno. É uma obra coletiva. É de Paulo Vitor, artilheiro do time com nove gols e convocado para a seleção sub-18 para um período de treinos. É de Paulinho, de apenas 16 anos, que voltou após um mês parado por lesão para marcar o gol do título, além de ter balançado a rede contra o São Paulo. Foram dois gols marcados em menos de 45 minutos jogados.

É também de Andrey, Mateus Vital e Alan, que não fizeram beicinho para descer aos juniores e encorparam o time a partir do jogo contra o Flamengo na Gávea (vitória por 1 a 0). Os três, que estavam sem atuar pelos profissionais, treinando no campo anexo atrás do gol, tiveram papel fundamental, assim como o pequenino Robinho, de apenas 1,60m, que puxava os contra-ataques junto com Paulo Vitor.

Importante também foi o incansável marcador Rafael França, o Melão, que jogou improvisado na lateral direita e não deu sossego a Vinícius Júnior na semifinal contra o Rubro-Negro. O meia Dudu, que ganhou a posição no decorrer do campeonato, vem evoluindo demais e superou também um drama pessoal, com a perda de uma tia, mãe de sua afilhada, durante o campeonato. Ele dedicou a ela o título.

João Pedro, o goleiro, chegou a cometer algumas falhas, como no jogo contra o Botafogo, mas apareceu bem demais nos últimos jogos, como contra o São Paulo, pela Copa do Brasil Sub-20, em que pegou um pênalti. Mayck, zagueiro que chegou em 2016 vindo do Bangu, se mostrou firme nas rebatidas e no jogo aéreo.

Há outros jogadores importantes fora do onze inicial que conquistou o título, como o centroavante Hugo Borges, que está machucado, e os meias Matheus Moresche e Lélis. O que mostra a força de um elenco que está há nove jogos sem perder, há quatro sem tomar um gol sequer (sendo que dois contra o São Paulo, um contra o Flamengo e outro contra o Fluminense) e se credencia a, além de disputar outros títulos, abastecer o time profissional, que precisa ser rejuvenescido em alguns setores.

Fonte: Blog na Base da Bola – Globo.Com

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