“Resgatado” pelo Vasco, Hélio relembra longo período sem clube: “Senti na pele”

os 35 anos, o armador Hélio é um dos jogadores mais experientes em ação no Novo Basquete Brasil. Campeão brasileiro com o Flamengo em 2008 e no mesmo ano vencedor da primeira edição do NBB com o próprio Rubro-Negro, o carioca é uma das peças importantes no Vasco na briga por um lugar nas quartas de final do torneio. A rodagem, os títulos, e o desempenho em times como Uberlândia, Londrina e Paulistano, porém, não evitaram que o jogador ficasse sem time até o convite vascaíno, em 2016, para jogar a Liga Ouro. Por quase oito meses, entre maio e dezembro de 2015, Hélio treinou sozinho e manteve a forma por conta própria. Chegou a pensar que talvez não tivesse mais espaço na linha de frente do basquete brasileiro, mas manteve a confiança.

– Foram quase oito meses. Joguei o NBB 7 pelo Uberlândia, a equipe acabou e não encontrei outro time. Faz parte, é assim mesmo, é uma transição e fui buscar meu espaço novamente. O atleta vive de altos e baixos, estava em um momento de baixa, mas tinha que me valorizar. Esperei para ver. Não surgiu proposta que achei vantajosa. Pinta muita coisa na cabeça. Será que eu não consigo jogar no alto nível, em nível nacional? O time de Uberlândia acabou, foi para o Vitória-BA, tive problemas de rescisão e não fui convidado para ir. O basquete vive um momento complicado no Brasil. Os times estão reduzindo muito os orçamentos. Senti isso um pouco na pele – lembra Hélio.

Enquanto treinava por conta própria, Hélio jogou o Mundial Militar e recebeu soldo da Força Aérea Brasileira. Usou também parte das economias de uma carreira de 17 anos no basquete profissional. A espera não foi em vão. Em dezembro de 2015 o Vasco começou os treinos para a disputa da Liga Ouro, a divisão de acesso ao Novo Basquete Brasil. Convidado, Hélio aceitou o desafio e sentiu-se novamente valorizado. Jogaria em um time de “camisa” e com peças importantes como David Jackson, Nezinho e Murilo. Não decepcionou. Por vezes titular, Hélio é o sexto homem de Dedé no atual NBB. Tem médias de 10 pontos e 2,1 assistências por partida, com 9,4 de efetividade.

– Surgiu o baita projeto do Vasco. Um clube de massa no Rio de Janeiro. As coisas acontecem na hora certa. Claro que não é uma situação fácil. Pelos clubes que passei eu sempre renovei rápido, era um dos primeiros, e não surgiu. Treinei, ajudei a minha esposa, que é nutricionista e tem uma empresa de alimentos funcionais, e mantive a forma. Foi um momento complicado, mais serve de aprendizado. Quando passa é que damos valor a certas coisas – diz o armador.

Foco está no Pinheiros

Agora, Hélio não pensa em renovação com o Vasco. O foco está dentro de quadra. Após perder o jogo 1 das oitavas de final para o Pinheiros, em São Januário, o time volta a enfrentar os paulistas na sexta-feira, agora em São Paulo. A vitória é importante para manter boas as chances de classificação. Em ação com a camisa do Cruz-Maltino, o jogador não se preocupa mais com o amanhã. Vive o agora. E de forma leve.

– Falei com o Dedé (técnico do Vasco). Nunca joguei tão tranquilo como nesses dois últimos anos. Não pela parte financeira, mas de estar desfrutando do jogo. Quando você está novo, se cobra, precisa jogar bem para renovar o contrato. Desta vez não. Se for para renovar, show de bola, se não for, é que não era para ser e a vida segue. Aproveito cada momento e cada partida – conta Hélio.

Atrás na série melhor de cinco, Hélio quer que o Vasco tire ensinamentos da derrota em casa. O time chegou a estar perdendo por 20 pontos, mas buscou e trouxe a diferença para quatro em poucos minutos. A vitória não veio, mas o espírito aguerrido é o que conta para esta sexta-feira, às 21h30, no Ginásio Henrique Villaboim, na capital paulista.

– Já vivi situações dessas, vários aqui já passaram por isso e saíram vencedores de uma série de playoff. Somos experientes e acostumados a isso. Agora zerou. Fica a lição de como melhorar o que erramos e valorizar o que acertamos. Não pode faltar disposição, não nos entregamos nunca, isso precisa ser valorizado e focar nisso – conta o jogador.

Futuro como dirigente ou no marketing

Sem estipular um momento para encerrar a carreira, Hélio ainda não optou pelo o que fará na sequência da vida fora das quadras. Os planos estão apenas na cabeça, mas o mundo do marketing esportivo e até mesmo um futuro como dirigente ligado ao basquete não estão descartados. Ele só naõ pretende ser treinador. Disso ele tem certeza.

– Prefiro não fazer pela metade. Uma matéria aqui, outra ali. Quero fazer a faculdade inteira. Não sei ainda, marketing esportivo, publicidade, pensei em arquitetura também. Tem que parar, pensar, tirar um ano, colocar a cabeça no lugar e fazer a melhor opção porque será a minha vida por mais uns 30, 40 anos. Não penso em trabalhar no basquete como treinador. Se pintar uma chance como dirigente, quem sabe. Até pensei em fazer uns cursos fora, mas o mercado é muito complicado. Investir, me dedicar com cursos fora do país, e não ter nada no Brasil. Os clubes são patriarcais, não são profissionais, fica complicado. Mas as coisas estão melhorando, é uma possibilidade também.

Fonte: GloboEsporte.com

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