Melhor cobrador do Brasil? Ex Vasco, Zagueiro artilheiro faz torcida gravar todas as faltas: ‘Me chamam de Sniper’

Estádio do Arrruda, último sábado, quartas de final de final da Copa do Nordeste. Falta na entrada da área do Itabaiana aos 27 minutos do segundo tempo. O jogo está empatado por 0 a 0. A torcida do Santa Cruz já saca o celular. O motivo? O zagueiro Anderson Salles se prepara para a cobrança. No jogo de ida, ele já havia balançado as redes desta forma.

Será que o defensor repetiria a dose?

“Na hora de bater eu estava me arrumando. Nisso, o Thomás chegou e falou: Olha aí Salles, a quantidade de celular ligado atrás do gol. Todo mundo gravando esperando você marcar (risos)’ Eu até perdi um pouco a concentração na hora e dei uma olhadinha para aquele monte de pontos luminosos. Pensei: ‘Caraca, o estádio está lotado de câmeras'”, contou o jogador, ao ESPN.com.br.

Thomás e Tiago Costa passam por cima da bola sem tocá-la. Anderson corre e, com muito efeito, acerta o canto direito do goleiro Genivaldo. “Mesmo assim, fui lá e fiz o gol. Não podia decepcionar a galera (risos). Tiraram umas fotos muito legais antes da cobrança”, prosseguiu.

A fase do defensor nas bolas paradas é tão boa que rendeu até mesmo um apelido.

“Um cara me chamou de sniper na rede social (risos). É o atirador de elite do Santa Cruz. Tem que ser o homem de precisão nessas horas de bater as faltas. Você precisa estar sempre muito focado e prestando atenção em tudo”, afirmou.

O termo sniper é oriundo do inglês e faz referência atirador especialista em acertar alvos muito difíceis com precisão.

  • Fã de Marcelinho e Assunção

Já são cinco gols em apenas dez jogos na atual temporada, sendo quatro em cobranças de falta e outro de pênalti. O que rendeu elogios até mesmo de Juninho Pernambucano, um dos maiores especialistas no assunto.

“Anderson Salles é monstro batendo na bola. Entre os melhores batedores de falta do futebol brasileiro”, postou o ex-jogador em sua conta oficial no Twitter.

“Para mim é muito gratificante. Tudo isso é fruto de muito trabalho e nos jogos os gols estão saindo. Fiquei feliz demais com o elogio. Ele é um dos melhores que já vi”, agradeceu o zagueiro.

Formado nas categorias de base do Santos, Anderson Salles começou a bater faltas por influência do treinador José Benedito.

“Eu chutava forte, dai fui pegando gosto pela coisa. Com o passar do tempo, vi que tinha o dom. Sempre gostei de ver o jeito do Marcelinho Carioca bater falta. Depois, comecei a acompanhar o Marcos Assunção. Curtia a forma como ele batia na bola e via muitos vídeos dele”, relatou.

Ao contrário da maioria dos zagueiros, o jogador prefere treinar as batidas mais colocadas.

“Quando dou uma pancada perco a precisão e a bola sai sem tanta direção. Treino uma média de três a quatro vezes por semana, o que dá umas 150 faltas no total. Preciso saber dosar para não me machucar também”, explicou.

Assim como Marcelinho Carioca gostava de abaixar e “conversar” com a bola, Salles também tem seu ritual antes das cobranças.

“No jogo não saem mais do que duas faltas, raro saírem três. Precisa estar bem focado para ter êxito. Eu me concentro sempre levantando os dois meiões (risos). Daí, paro e observo muito a barreira e o posicionamento do goleiro”, disse.

“Cada goleiro monta a barreira de uma forma diferente e não tem exatamente um ponto de referência fixo como o terceiro homem da barreira. Isso é muito relativo”, prosseguiu.

O poderio de fogo do zagueiro já foi temido até mesmo por um especialista na arte de cobrar e defender faltas. “Uma vez antes de um jogo no Rio de Janeiro contra o São Paulo, o Rogério Ceni passou por mim antes do jogo e brincou: ‘Vai com calma, Anderson (risos)’. Eu gostava muito de vê-lo cobrar falta. É bacana ouvir isso dele”, contou.

  • Fase de reconstrução

Após ser rebaixado no Campeonato Brasileiro do ano passado e viver muitos problemas financeiros, funcionários fizeram até greve por causa dos salários atrasados, o Santa Cruz vive um momento de reconstrução.

Neste ano chegaram muitos jogadores, incluindo Anderson Salles, que estão sob o comando do técnico Vinícius Eutrópio. “Temos um grupo novo neste ano. Fui muito bem acolhido pelo grupo de jogadores assim que cheguei. Estamos trabalhando para evoluir a cada dia”, afirmou.

Aos 29 anos, o zagueiro passou por equipes como Bragantino, Ituano, Grêmio Barueri, Vasco e Goiás antes de chegar ao time coral.

“As pessoas são muito calorosas e apaixonadas demais pelo futebol. Me contaram que mesmo quando não tinha jogo, na época da Série D, a torcida se reunia no estádio para ver a troca de gramado. Eles são muito fanáticos e por isso colocam multidões no estádio”, contou.

Com a classificação para as semifinais da Copa do Nordeste, o adversário será o rival Sport. A primeira partida será somente no dia 22 de abril, mas Recife já vive o clima do confronto.

“A cidade para, é o chamado clássico das multidões. É um jogo diferente e Vale como uma final mesmo. A gente sabe da qualidade da equipe deles é muito forte. Precisamos trabalhar muito e neutralizar os pontos fortes deles. O mais importante é conseguirmos a classificação”, finalizou.

Fonte: ESPN

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