Há cinco anos na Ásia, Ex Vasco vê futebol chinês crescer: “Estão evoluindo”

Depois de surgir como promessa no Vasco em 2007, Bruno Meneghel peregrinou do Sul ao Nordeste do Brasil e viveu altos e baixos em sua carreira. De bons momentos no Náutico, quando foi um dos artilheiros da equipe entre 2010 e 2011, ao ostracismo no Criciúma, o atacante encontrou na Ásia um porto seguro para praticar futebol. Em 2012 deixou o América-MG e acertou com o Qindao Jonoon, quando a China ainda não chamava a atenção do mundo com suas contratações milionárias. Em quase cinco anos, viu o esporte crescer no país e as coisas mudarem – para melhor. Chegou a se aventurar no Cerezo Osaka, do Japão, mas retornou e atualmente está no Changchun Yatai, mesmo clube de Marinho.

Grandes nomes do futebol mundial como Hulk, Oscar, Ramires, Tévez, Witsel e Jackson Martínez desembarcaram na China e integram a principal liga de futebol do país nos últimos anos. Porém, a sociedade também aproveitou o embalo e mudou. Em apenas cinco anos, as escolas adotaram o futebol como prática habitual e obrigatória. Milhares de campos foram construídos pelo país e, assim, mais jogadores e fãs começam a surgir. Um futuro que vai sendo moldado graças ao presidente Xi Jinping, conhecido por suas práticas liberais e grande incentivo ao esporte jogado com os pés.

– Quando ele assumiu, ele deu mais ênfase para o futebol. Automaticamente, os estados acabam investindo, nas escolas, e isso faz com o que o país cresça em termos de futebol. Consigo perceber que tem mais quadras, os colégios incentivam mais futebol (…) A maioria dos estádios aqui na China é muito bom, estrutura sensacional. Centro de Treinamento legal, academia, a estrutura do nosso clube, muitos times do Brasil não tem. As contratações também fazem a diferença. Quando você contrata jogadores de nome, o clube começa a ficar em evidência. Essas contratações, não só no meu time, mas em outros, casos do Pato, Tévez nesse ano… Com certeza, trazendo esses grandes nomes, os clubes vão evoluindo. Esses caras sabem como podem ajudar o futebol chinês a crescer. Eles têm que fazer isso, trazer treinadores bons, mostrar como é na Europa. Acredito que em dois, três anos, a China vai estar em alto nível – afirmou Bruno Meneghel em entrevista por telefone ao GloboEsporte.com.

Ao chegar em julho de 2012, Bruno levou a esposa, Valéria, e a filha, Júlia, para morarem na China. A adaptação, ele conta, foi difícil. Alimentação e cultura totalmente diferentes e a língua amenizada pela presença de um tradutor à disposição da família. A pequena, hoje com sete anos, é a única que fala um pouco de mandarim, graças às aulas em uma escola internacional, onde ela também aprende inglês. Porém, durante as férias, todos voltam para o Brasil e as duas permanecem um pouco mais, cerca de três meses, para amenizar o desconforto.

O peso da parte financeira é que move o atacante e sua família a permanecerem na China, apesar das dificuldades. Sem especificar valores, o atacante explica que recebe “muito mais” do que ganhava no Brasil em termos salariais. Com contrato até o fim de 2018 com o Changchun Yatai, Bruno Meneghel acredita que voltará a atuar no Brasil, mas não tem pressa para resolver seu futuro.

– Desde que vim para cá, não pensei em voltar. Eu queria fazer uma carreira fora, me estruturar financeiramente. Todo ano eu penso em voltar, claro, você quer estar em seu país, em casa. Mas, o salário é muito maior aqui. Tenho que pensar no futuro, da minha filha, hoje ela está no colégio internacional, quero essa dar continuidade para ela. Estudar fora do Brasil, fazer faculdade nos Estados Unidos, em algum país que dê condições para ela. Eu penso em voltar para o Brasil, quando acabar meu contrato. Mas, a gente vai conversar e ver o que é melhor para nós – disse.

Porém, o momento não é dos melhores para Bruno Meneghel em seu clube. No último ano, teve problemas de relacionamento com o técnico sul-coreano Jang-Soo Lee e, com a diminuição no número de estrangeiros (de quatro para três relacionados), acabou sendo preterido neste início de temporada. Segundo o atacante, o treinador está na berlinda e sem o grupo na mão após as três derrotas em três jogos. De positivo, a chegada do compatriota Marinho, a quem ele tece elogios não só pela técnica em campo, mas também pelo lado fora dos gramados.

– Quando o Marinho chegou, dei todo o suporte para ele. Como estou há muito tempo, tento ajudar, mas é difícil para ele, conhecer a cultura, para ele se sentir mais à vontade, ficar tranquilo. Vai demorar um pouco. Ele é um cara sensacional, descolado, tranquilo. Leva as coisas numa boa, toda dificuldade ele vê as coisas boas, tenta aprender, ver o melhor. Ele é um jogador diferenciado, se estivesse jogando no Brasil, em qualquer time grande ia se destacar. No último jogo, mesmo a gente perdendo, ele foi o melhor em campo. Tem muita qualdiade, a gente vê a diferença. O único que pode ajustar é o treinador, mas ele não consegue ajudar muito.

Ainda assim, Bruno Meneghel afirma que não é raro ser parado na rua com pedido de fotos, principalmente na cidade de Qingdao, onde teve uma boa passagem por seu primeiro clube. Mas, ele acredita que o cenário está começando a mudar. Além da idolatria aos estrangeiros, os próprios chineses estão começando a se tornarem importantes para suas equipes. Cada vez mais, os principais clubes vão buscar jogadores locais com destaque nas divisões inferiores para se reforçarem e, com o novo limite de jogadores de fora do país, se destacam ainda mais.

– São sete chineses em campo. Se você tiver jogadores bons em campo, isso vai fazer diferença. Os jogadores chineses hoje estão sendo ganhando mais importância dos clubes. Os estrangeiros fazem a diferença, sem dúvida nenhuma, o futebol não seria como está sendo, mas eles estão procurando bastante chineses bons na primeira e segunda divisões para ajudar a montar o time. Antes, o Guangzhou era o melhor time, de longe. Ainda é, mas você tem o Shanghai SIPG, o Shangdong Luneng, o Shanghai Shenhua investindo muito nos jogadores chineses e estão crescendo, com bons resultados.

Um carma na vida de Bruno Meneghel é a inevitável assimilação de seu sobrenome com a apresentadora Xuxa Meneghel. O atacante, porém, diz que jamais conheceu a “Rainha dos Baixinhos”, mas que seu pai jura ter um parentesco distante.

– Meu pai fala que ele é parente da Xuxa, tudo começou com ele. A única coisa que a gente tem de parecido é o sobrenome mesmo. Infelizmente, nunca a conheci. Era fã quando era criança, claro. Gostaria muito de conhecer, mas até hoje nunca aconteceu.

Fonte: GloboEsporte.com

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