Como Vasco lapidou Coutinho e hoje sonha com mais R$ 13 milhões

“Um cara inteligentíssimo em todas as movimentações que fazia. Fora de campo, muito quieto, assim, quieto ao extremo. Me chamava muito a atenção, inclusive, os cuidados que o pai (José Carlos) tinha com ele. Esperava em todos os treinos, ia levar, buscá-lo”.

À primeira vista, a descrição se encaixa perfeitamente na de um jogador promissor, que deixa distrações de lado e tem ‘berço’. E é isso mesmo. Foi ele um dos responsáveis por mudar a história recente da seleção brasileira, a primeira a conseguir vaga na Copa do Mundo de 2018. Philippe Coutinho é diferente e deixou isso claro ao fazer fila ao abrir o placar na vitória de 3 a 0 sobre o Paraguai, na última terça-feira.

O seu sétimo gol em 25 jogos pelo Brasil.

Coutinho é fora de série.

E as palavras de Dorival Júnior acima apenas ratificam isso.

O técnico de 54 anos foi o responsável por lapidá-lo e lançá-lo no Vasco ainda em 2009, num momento em que o meio-campista de 16 para 17 anos já se encontrava negociado com a Inter de Milão por 3,8 milhões (R$ 9,5 milhões, de acordo com a cotação da época). Não surpreende que, praticamente uma década depois, os laços entre o clube e o camisa 11 da seleção ainda se mantenham.

Em seu orçamento para 2017, a diretoria cruzmaltina estima arrecadar R$ 13 milhões com mecanismo de solidariedade, uma fatia considerável disso, claro, com a venda do meio pelo Liverpool, sua atual equipe.

Ele foi parte importante dos planos de Dorival no acesso vindo da Série B em 2009 ao formar um verdadeiro meio-campo dos sonhos com outras crias da base.

“Quando cheguei no Vasco em 2009, já encontrei o Coutinho em processo de transição, saindo da base e iniciando trabalho de profissional, inclusive pré-temporada conosco. Naquele instante, o Vasco já não tinha mais direito sobre Coutinho, havia sido vendido, mas era um garoto muito simples, chamava a atenção pela habilidade, movimentação, inteligência nas trocas de passes. Sempre procurava espaço vazio para jogar. Um cara inteligentíssimo”, conta Dorival Júnior ao ESPN.com.br.

“Nós começamos a dar uma atenção especial pelo seguinte: tinha muitas qualidades, mas, pela idade, 16 para 17 anos, muito franzino, ali começamos a prepará-lo para que dentro do próprio ano viesse a ter oportunidade e acabou acontecendo”, prossegue.

“Houve uma ocasião dentro do Brasileiro que jogamos com meio-campo que era praticamente o meio da seleção sub-20 do Brasil, também campeã mundial, Souza, Alex Teixeira, Allan, que está hoje na Itália, e o próprio Philippe. Foram muitos jogos assim no meio. Deram uma sustentação muito boa para a equipe. Muito jovens, se não me falha a memoria, todos menos de 19. Coutinho já chamava muito a atenção pela capacidade de tomada de decisões corretas”, completa.

Antes de sacramentar a sua ida para a Inter de Milão, o Liverpool cruzou o caminho do ainda desconhecido garoto em Merseysidede forma curiosa.

Os mesmos scouts que recomendariam a sua contratação aos Reds e deram o OK para que se pagasse ao redor de R$ 30 milhões por seu futebol, trabalhavam na época para o Manchester City, que estava longe de ter o potencial financeiro atual.

Ainda assim, houve o flerte incipiente, mas sem conseguir fazer frente à concorrência da época, que tinha Inter, Real Madrid e outros.

“Acreditava muito que ele viesse a crescer a partir do momento de desenvolvimento físico, fatalmente ocuparia o seu espaço porque a inteligência que tem para jogar futebol é muito grande, percepção, movimentação, troca de passe, um toque só na bola. Isso caracteriza muito esse inicio do Coutinho. Não tinha dúvida que se tornaria esse grande jogador para o Brasil”, analisa Dorival.

Não deixa de ser inusitado que a troca de passes dinâmica e a rapidez na movimentação que hoje marcam seu futebol tenham sido confundidas por torcedores do Vasco como sinal de imaturidade na época.

Coube a Dorival blindá-lo e bancá-lo.

Um trabalho que viria a se repetir em seguida no Santos, com Neymar e companhia.

“De um modo geral, os treinadores das equipes profissionais, a gente não é responsável pelo lançamento dos garotos, apenas oportunizamos a eles, acreditamos, acima de tudo. Acho que isso temos de positivo (no Santos). Confiamos no trabalho da base, procuramos valorizar sempre o possível surgimento do novo atleta, pedindo passagem, foi assim com ele, aconteceu com muitos outros. A exemplo do Coutinho, fico muito feliz de ser parte de um momento importante da vida do Neymar e outros da seleção, Filipe Luis (no Figueirense), Fagner e mais gente. Esses são caras que, lá atrás, começaram a ter oportunidade em razão de pessoas que acreditaram, deram atenção um pouco diferente a esses meninos. Apostaram no potencial que possuíam e agora ocupam espaço no cenário mundial, importantíssimos na roupagem nova do futebol brasileiro, momento especial com Tite”, finaliza o treinador santista.

Fonte: ESPN

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