Da Vila Cruzeiro à Rômenia, Ives vive roda gigante na volta a São Januário


Ives, ex-Vasco, hoje no Bangu (Foto: Raphael Zarko)

 

No futebol brasileiro, não é nada incomum jogadores com salários atrasados. Há até clubes grandes que devem dois, três, quatro meses… Agora, imagina trabalhar durante seis meses, não receber nada e isso tudo morando sozinho, na Europa? Essa foi uma das experiências frustrantes do futebol do volante Ives, hoje de volta ao Bangu. Nascido e criado na Vila Cruzeiro, a carreira do jogador de 29 anos é de mais baixos do que altos depois de um longo tempo de estrada. Livre das confusões ao lado do amigo Adriano – de quem diz ter perdido contato -, ele retorna ao estádio vascaíno para enfrentar o ex-time com boas recordações. Titular absoluto do Alvi-Rubro, Ives é um dos destaques da equipe que tenta surpreender o Vasco às 16h deste sábado, num lugar que ele conhece muito bem: São Januário.

Ives Antero de Souza para, pensa e tenta lembrar quantas equipes defendeu na carreira. Para ele, o auge foi em São Januário. E os tempos não eram dos mais promissores no clube. Da geração do meia Morais, dos laterais Thiago Maciel e Diego e do volante Ygor, Ives fez pouco menos de 70 partidas pelo Vasco e um gol – na goleada de 4 a 2 para o Palmeiras, no dia 14 de julho de 2006 no antigo Palestra Itália. A derrota por goleada pouco importa. Está marcado para o volante. Assim como a estreia dele contra o São Paulo em 2005 e uma vitória sobre o time de coração do amigo Adriano, no mesmo ano, no clássico contra o Flamengo em São Januário: 2 a 1, gols Junior Baiano (contra) e Romário.

– Tenho um guardado lá. Foi contra o Palmeiras, o goleiro ainda era o Marcos. No Parque Antártica, foi um lance do Wagner Diniz, depois o Moraes chutou, sobrou para mim. Eu dominei ela depois do meio de campo, consegui pegar bem no chute e fiz um belo gol – lembra.

Ives fica “devendo” uma palavrinha a mais sobre Adriano. Anteriormente, contou que o amigo descontava do próprio salário para lhe pagar nos tempos de Flamengo – Ives foi contratado e ficou quatro meses em observação no elenco que foi campeão brasileiro em 2009. Não entrou em campo, mas chegou até a receber elogios de Cuca, então técnico rubro-negro, que justificava a contratação. A amizade, segundo ele, hoje está um pouco mais distante.

– Não tenho mais contato com ele. Tem tempo bem grande que não falamos. Essa resposta (dele voltar a jogar) fico devendo. Até os próprios amigos, que sempre estavam com ele, não têm notícia também dele, ninguém sabe mesmo – diz o jogador do Bangu.

Da própria vida, Ives conta com orgulho do primeiro filho, Bernardo, de um ano, e relata que sonhava passar a vida como profissional no Vasco, seu time de coração.

– Quando não se tem regularidade em clubes grandes, a cabeça não funciona do jeito que deveria – conta.

Promessas não cumpridas

Ives rodou por times pequenos do interior do Rio, jogou no Duque de Caxias, no Volta Redonda, no América, no Brescia de Campo Grande, que tinha convênio com o Vasco, passou pelo Náutico, Paraná e CSE de Alagoas, mais recentemente. O relato é dos mais comuns entre clubes pequenos.

– Muitos clubes vivem de aparência. A diretoria promete e não cumpre. E é sempre o atleta que sai prejudicado. Vivi muitas situações de não receber salário que foi combinado com a diretoria, que chegavam ao ponto de assinar contrato e depois trocarem o valor, falsificando assinatura. Aí você coloca na Justiça, mas para jogador isso não é legal. Com o salário você pensa em ajudar a família, os filhos, numa casa melhor. Isso é um ponto bem negativo no futebol brasileiro.

Pior ainda foi na Europa. No FC Progresul, que faliu pouco tempo depois, ele jogou a Segunda Divisão da Romênia. Lá, em 2006, ficou seis meses sem receber nada. Mesmo assim ficou até dezembro no clube romeno. Ele receberia R$ 100 mil no período. A proposta surgiu através de um amigo, que lhe apresentou um empresário.

– A primeira impressão é de estrutura de clube grande. Mas fiquei seis meses sem receber nada. Eu vivia dentro do clube, que tinha hotel, um restaurante embaixo. Havia outro brasileiro que estava lá há dois anos. Disseram que a moeda do país tinha se enfraquecido, aí os investidores não cumpriram o que havia sido combinado. Sorte que tinha passagem marcada para 1º de dezembro. Mas foi um alívio voltar – conta o jogador do Bangu.

Fonte: GloboEsporte.com

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