Juninho Pernambucano lamenta não ter ido à Copa do Mundo de 2002 e revela 'não' à Seleção quando Dunga era técnico


“A primeira vez que me imaginei na seleção eu estava na escola, era a semana da independência. Lembro que ouvia o hino todos os dias e ficava de pé. E ali com meus 13, 14 anos comecei a me imaginar jogando na seleção. Essa é a imagem que ficou na minha cabeça”. Em 1988, Juninho Pernambucano ainda era apenas Juninho. Um garoto pequeno, magro, incansável nos treinos de futsal, que desde já chamava a atenção pela busca do grande sonho: se tornar jogador de futebol. 

Nas categorias de base do Sport, Juninho passou das quadras para o campo até chegar ao profissional – em 1993. No ano seguinte, passou para o elenco principal e conquistou dois títulos: o Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste. Ele virou o Reizinho da Ilha. Não demorou para despertar o interesse de outros clubes. Em 1995, chegou ao Vasco, onde também ganhou status de ídolo. No clube carioca conquistou dois títulos do Campeonato Brasileiro, um Campeonato Carioca, uma Libertadores e um Mercosul. E mais uma vez o apelido Rei apareceu, desta vez da Colina. 

E o Brasil ficou pequeno para Juninho. A vossa majestade foi brilhar no exterior. Na França reinou no Lyon, onde conquistou sete títulos. No Catar foi campeão pelo Al Gharafa. Depois de conquistar títulos por onde passou, o pernambucano sentiu necessidade de voltar para o Brasil. O destino: o Vasco da Gama. Nesse tempo fora do país, tornou-se uma realidade. Chegou a seleção brasileira. Jogou as eliminatórias da Copa de 2002 e também atuou na Copa América de 2001. Apesar disso, não deixou uma impressão tão boa e acabou ficando de fora da lista de convocados para a competição mundial daquele ano. 

– Em 2002 eu era o melhor jogador da minha posição, mas o meu litígio com o Vasco eu fiquei seis meses sem jogar. O Felipão assumiu e fui convocado para a Copa América e por falta de coragem eu não falei que não tinha condição de jogar aquela Copa América. E naquele ano foi uma Copa América péssima. Nós fomos eliminados pelo Honduras (nas quartas de final) e vários jogadores pagaram um preço mais caro. No caso eu também. Não fui mais convocado por causa daquela Copa América e ai Felipão fechou o grupo. Mas aquela Copa eu deveria ter participado. A minha Copa era em 2002. Aquele era o meu momento para fazer parte daquele time. Mas não posso negar que ele acertou, foi campeão – relembra o meia. 

Depois de ficar de fora do Mundial onde o Brasil sagrou-se pentacampeão, Juninho recebeu a oportunidade de participar da seleção de 2006. E antes do jogo contra a França, o único em que foi titular, o jogador emocionou o país com seu choro. 

– Naquele momento eu me senti como se tivesse passado por vários obstáculos. O sentimento era de que tudo valeu a pena. Foi tudo o que eu sonhei. O jogo em si foi o mais importante. A emoção foi mais forte e acabei não segurando as lágrimas – diz o jogador que atualmente é comentarista. 

De chuteiras penduradas, Juninho agora analisa a atuação de outros jogadores e equipes. E fez uma autocrítica em relação à atuação na Copa de 2006. 

– Eu sempre sonhei muito em chegar à seleção, mas nunca consegui me concentrar nela como fiz pelos meus clubes, no sentido de sequência. Na seleção eu joguei 40 jogos, fui campeão na Copa das Confederações, mas digo que ficou aquém do que eu seria capaz de fazer. Todo mundo falava que o time era fantástico. Tinha Ronaldo, Adriano, Kaká, Ronaldinho, eu, Robinho, Fred no banco, Zé Roberto. A zaga era a mesma que jogou em 2010, três excelentes goleiros. Um treinador tetracampeão que era o Parreira. Todo mundo achou que ganharíamos, mas acabamos não rendendo o que a gente podia. 

O surpreendente “não” à Seleção 

– Aos 31 anos tomei uma decisão. Após aquele jogo, eu decidi que não jogaria mais pela seleção, porque com 31 anos eu achava que não me interessaria mais jogar uma Copa. Não sabia se chegaria aos 35 da forma que consegui. Poderia ter jogador mais uma Copa, convite não faltou – revela Juninho. 

A resposta em um telefonema poderia ter estendido a história do pernambucano na seleção brasileira. 

– Na primeira convocação da era Dunga, Jorginho (auxiliar) me ligou antes do amistoso contra a Noruega e perguntou se eu estaria disposto a voltar a defender a seleção: eu falei que não. 

Disse que havia chegado a minha hora de parar de jogar pela seleção, mesmo não tendo feito a história que poderia ter feito. Ali eu tive coragem para assumir, porque são poucos jogadores que conseguem fazer isso. 

Poucos são como ele. Antônio Augusto Reis, ou simplesmente Juninho. O pernambucano que não foi campeão do mundo, mas não perdeu a nobreza.
 
Juninho Pernambucano foi titular em dois jogos na Copa de 2006
 
Fonte: GloboEsporte.com
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