Idolatria, dedicação e muitas histórias: o caso de amor entre Juninho e Vasco


A carreira de Juninho como jogador de futebol chegou ao fim há duas semanas. Mas o caso de amor com o Vasco e sua torcida será eterno. Dos 20 anos como profissional da bola, oito foram vividos em São Januário – entre idas e vindas. Claro, recheados de muitas histórias, manias marcantes, um misto de euforia e decepção e o nível de dedicação à camisa que o aproximou da sagrada idolatria de nomes como Ademir Menezes, Roberto Dinamite e Edmundo pelo que fizeram em campo. A ponto de ocupar o posto de Reizinho da Colina no grito e no coração dos cruz-maltinos .
 
A origem do apelido, aliás, é apenas uma das curiosidades do passado do ex-meia no clube que a reportagem do GloboEsporte.com desvendou através de pesquisa e de relatos de personagens ligados a Juninho. Por cerca de 50 minutos, o craque interrompeu seus dias agitados em razão da mudança de casa e, entre outras revelações, mostrou que lembra com carinho de quando passou a ouvir das arquibancadas, ainda em 1997, a rima “ei, ei, ei, o Juninho é o nosso rei”.
 
– Não sei dizer quem me homenageou, mas a torcida cantava o nome de um por um, e alguns tinham músicas especiais, como Carlos Germano, o Edmundo, que era
o Animal, o Pedrinho, que era aquela do “Pedrinho vem aí e o bicho vai pegar”. Era tradição, mais do que hoje, porque se conhecia o time que ia jogar. Foi legal ter ouvido. No início fui comparado ao Danilo Alvim (meio-campista do Vasco na década de 50), que era O Príncipe, então talvez tenha relação – acredita.   
 
A história, na realidade, começou no Sport, onde torcedores o tratavam como Reizinho da Ilha após o bom Campeonato Brasileiro que realizou em 1994. A partir daí, com a sequência no time titular e atuações destacadas, ganhou o verso personalizado que jamais foi esquecido. Mas, sim, aqueles que viveram de perto a época confirmam a ligação com o estilo de Danilo. 
 
No total, Juninho participou de 393 partidas e anotou 76 gols. Apesar de ter permanecido menos tempo na equipe carioca em relação ao Lyon, da França, é onde fez mais jogos. Enquanto decide a respeito de ser treinador ou gestor, deve ser comentarista na Copa do Mundo e não abre mão de uma despedida oficial, que será marcada provavelmente contra o River Plate.

Fun info Juninho (Foto: infoesporte)

 

UM ATLETA METÓDICO E ‘CHATO’
 
A personalidade de Juninho é um capítulo à parte. Atento e preocupado com os detalhes à sua volta, por vezes dividia os companheiros por causa da fama de chato. Talvez não fosse compreendido pela criação diferente da maioria dos boleiros. Suas primeiras metas não eram um carro importado, roupas do ano ou conquistar as garotas na noite carioca. O ídolo do Vasco se casou aos 19 anos com Renata, que estava grávida de Giovanna, uma das três filhas.
 
Aliado a seu jeito metódico e perfeccionista ao extremo, uma das características facilmente notadas no ex-jogador é a dose de pessimismo que o acompanha na expressão e em certas atitudes. Ele reconhece isso, mas esclarece que o futebol o levou um pouco para este caminho.
 
– Sou metódico, gosto das coisas certinhas mesmo. Não gosto de improviso, mas ninguém está certo sempre. Nem me sinto confortável para falar sobre isso. É meio chato e às vezes penso se não vale a pena ser largadão, como muitos jogadores são. Isso pode ser defeito meu, como o pessimismo. Mas é culpa dos 20 anos de carreira. Quando você sente que algo não vai dar certo é difícil aceitar. Não acredito em sorte, só em trabalho. Por outro lado, se tudo estiver sendo bem feito, minha postura vai ser super positiva. Querer controlar as coisas que você não pode é frustrante. Por isso, apesar de me tomarem como exemplo, tenho muito a aprender também.
 
Presente no dia a dia de Juninho por mais de seis anos, Carlos Germano é um dos que melhor o conhece. E confirma a obstinação do ex-companheiro. 
 
– Não mudou muito, sempre foi preocupado com tudo. Lógico que depois da vivência, da maturidade, vem a vontade de ajudar os outros. Ele é preocupado, detalhista demais. Mesmo quando garoto. Se tivesse que bater dez faltas, ia bater dez. Se ficassem só em 9, achava que no jogo não seria legal. Sempre foi preocupado em dormir cedo, era um atleta de verdade e sempre agiu como vencedor. Eu, por exemplo, era um parceiro inaquedado para ele. Não poderia jamais dividir quarto, porque dormia às 2h, e qualquer barulho ou claridade ele não deixava. Reclamava com o supervisor. Ele ficava com o Pedrinho. Pareciam dois bebês indo dormir cedinho (risos) – brinca o preparador de goleiros. 
 
Armando Marcial é outro que capaz de traçar um perfil completo do ex-jogador. Foi preparador físico do clube cruz-maltino ao longo de boa parte da década de 90 e retornou há alguns anos.
 
– Sempre foi preocupado com tudo no trabalho, não tinha que negociar treinamento com ele, como é normal com os jogadores. Principalmente a parte física que ele foi entendendo que era fundamental e foi no que ele mais evoluiu. Perguntava muito, era aquela determinação de alguém que você via que superaria qualquer obstáculo para brilhar – comentou Armando, que emendou com outra história. – O Jair Pereira o barrou (em 1995) e dizia que faltava algo para ele. Mas depois ninguém mais segurou, e o Juninho acabou se tornando aquela referência para a torcida.
 
SUPERSTIÇÃO DA CAMISA 8
 
Engana-se, porém, quem imagina que o Reizinho é supersticioso. Nem com seu material de trabalho diário, tampouco com a repetição de gestos. A organização parec
e sua única obsessão, inclusive quanto à camisa que utilizava. Antes do estrelato, Juninho vestiu a 11 no Vasco e, embora tenha se firmado, o time não decolou. Por sua posição em campo, apostava que o número 8 lhe cairia melhor. E não deu outra. Foi quase sempre com ele às costas que comandou o meio de campo cruz-maltino nos títulos em sequência das gerações de 1997 e 2000. 
treino vasco Nasa, Mauro Galvão, Evai r e Juninho Pernambucano 1997 (Foto: Agência Estado)
 
Tanto que, antes de se apresentar ao clube nas duas passagens derradeiras, aproveitou o moral que havia conquistado para pedir a cessão da camisa 8, através de funcionários do clube, a Eduardo Costa e Pedro Ken, os respectivos donos em 2011 e 2013. 
 
– Escute… Pedro Ken é gente boa, é? Porque eu não sei jogar com a 10, não – comentou após desembarcar no Rio de Janeiro depois do período apagado no New York Red Bulls, dos EUA.
 
– Eu estava voltando para um clube no qual eu tinha uma história. É diferente. Se estivesse indo para qualquer outro, não pediria. No Al Gharafa, do Catar, joguei com a 5 porque o capitão era o 8. No Lyon, usei a 12 no primeiro ano. Só depois é que me deram a 8. Comecei com a 8 no Sport, jogando na meia, entre o primeiro volante e os atacantes. Achei um número bonito e marcante, a ver com a posição. Só mudei para um outro por causa de uma parceria que eu fiz, mas não funcionou e desistimos – relata Juninho, em referência ao número 31 que envergou em 2000 após um acordo com uma companhia telefônica com o mesmo DDD.
 
QUASE ADEUS PRECOCE
 
Na estreia, em agosto de 1995, o Reizinho balançou a rede na virada sobre o Santos – cena que se repetiria nos outros dois retornos ao clube. O começo, no entanto, foi cheio de percalços. Até que o próprio Peixe quase o tirou de São Januário, um tempo depois, com uma proposta que o ex-presidente Eurico Miranda recusou. À essa altura, o hoje ex-meia já brilhava e deixou para trás a desconfiança que, mais por falta de dinheiro, por pouco não o fez voltar ao Recife, já que a diretoria vivia crise financeira e não cumpriu o acordo com o Sport no prazo.

A investida paulista visava aproveitar as campanhas ruins do Vasco nos Campeonatos Brasileiros, mesmo já contando com nomes como Ramon e Edmundo – que viriam a ser decisivos para a redenção posterior – no fim de 1996. E Juninho estava incomodado. Com o atraso no pagamento dos 15% da transferência e com a adaptação, mas bateu o pé. O amigo Leonardo, que chegou com ele do Sport, e o ex-zagueiro Ricardo Rocha eram os alvos das confissões.

– Quando chegamos, o Eurico deu um dinheiro na mão da gente dizendo que éramos novos e não precisávamos de dinheiro. Já tenho família, o Juninho também vai ser pai, claro que precisamos, doutor. Ele atrasou uns três meses, e o Ricardo (Rocha) me mandou cobrar. Só que o Juninho não quis ir, ficou com medo do Eurico. Eu disse: vai lá, ele vai te atender, não é bicho, não. Eu recebi, convenci ele a ir depois e deu certo – recorda-se Leonardo.

O ex-atacante se diverte com o inconformismo do parceiro para as avaliações que recebia.

– Ele gostava muito de ver nota do jornal. Quando tirava 3, 4, ficava pê da vida. Tinha que ser de seis a sete para frente, aí ele treinava ainda mais para mostrar que tinha condição. Eu dizia para ele: “veja em outro jornal que você vai tirar uma nota maior”. Às vezes eu tirava nota 7, e ele, 4. E eu repetia: rapaz, não liga, não. Mas resolvi pegar no pé dele com Ricardo e disse que Juninho tinha ido comprar todos os jornais e estava juntando as notas para ver se dá 10 (risos).  

 

CONSTRUINDO A IDOLATRIA

 

O assunto idolatria da torcida causa desconforto a Juninho. Ele não se vê neste nível e costuma afirmar que foi um peça da engrenagem que deu certo na equipe vitoriosa. Prova disso foi a reação ao ganhar a festa de gala de recepção, em 2011, com show de luzes. Mas sabe também que sua dedicação foi responsável por assegurar um lugar cativo entre os vascaínos. E aponta exatamente o momento em que reparou a transição de um jogador comum para xodó.

 

– O primeiro ano foi de mudança, de primeiro contrato com o Vasco e foi realmente difícil. Mas nos seis meses seguintes, ali no Carioca de 1996 tínhamos que ganhar um jogo contra o Flamengo. Eram cinco mil vascaínos no Ma
racanã e 60 mil flamenguistas. Joguei demais nesse jogo e passei uma mensagem muito forte. Comecei a mostrar essa confiança partir dali.

Olhando para mim, ninguém imaginava, mas lutei e construí alguma coisa. Fui me firmando e depois do gol sobre o River (na semifinal da Libertadores de 1998), eles começaram a me considerar um dos ídolos. Fiz alguns gols importantes também, que me permitiram ter o reconhecimento.  

Ao virar Reizinho, o craque também se transformou em um verdadeiro torcedor nas quatro linhas. Além de gols decisivos em finais, como a do Mundial de Clubes, em 1998, a do Rio-São Paulo, em 1999, e a da Copa João Havelange, em 2000, ficou marcado por atitudes que inflamaram o público. Na decisão da Mercosul, os socos no peito em meio à virada história contra o Palmeiras talvez tenham sido o principal momento. Mas o “aqui e o nosso lugar” para os tricolores na polêmica do lado da arquibancada na reabertura do Maracanã e o gesto obsceno para os rubro-negros, em Brasília, na hora do escanteio (ambos mais recentes) estão guardados.  

– Não sei me relacionar com isso (idolatria). Mas é gostoso ser reconhecido. Escolher um sentimento dentro do futebol é raro. Não gosto de sacanagem com clube. Mas não paro para pensar nisso e fico me guiando. Sei que me dediquei para fazer meu melhor, minha história ficou e tem gente que não entende. Mas eu penso assim: ou se dedica ao que você faz ou vai ser feito pela metade. É questão de objetivo de vida – ensinou Juninho.

Para Ricardo Rocha, o Vasco foi um privilegiado ao comprar o ex-meia por US$ 1,5 milhões. A relação de idolatria ocorreria com qualquer outro pelo profissional que o amigo sempre foi.

– Ele nunca se omitiu. Sempre foi um garoto determinado, ambicioso. E tinha talento e humildade. Não precisa de mais. Qualquer clube que ele fosse, seria ídolo. No Vasco, foi ídolo. No Lyon, foi ídolo. No Al Gharafa, mesmo com pouco tempo, foi ídolo p…!. Então, a história estava pronta.

Montagem Juninho Pernambucano Vasco (Foto: Editoria de Arte)

Um episódio emblemático sobre esse comprometimento, em 1999, acabou em fracasso na bola e criou ciúmes em alguns, que não digeriram a entrada de Juninho em inusitada circunstância:

– Teve um amistoso pela Seleção em Porto Alegre à tarde, que eu joguei. Tínhamos um jogo importante contra o Nacional, em Montevidéu (pela Copa Mercosul) à noite. O Vasco colocou à minha disposição um jatinho, daqueles pequenos mesmo, e eu voei. A partida já tinha começado, peguei o uniforme com os roupeiros no vestiário e entrei escondido no banco de reservas. No intervalo, o (Antônio) Lopes falou: “você vai entrar”. Não deu certo, pois perdemos por 3 a 0, mas pelo menos tentei. Só que isso não foi bem recebido por alguns jogadores.  

 

CONTRA A TURBULÊNCIA 

 

A consequência do ato trouxe também um medo de avião e um hobby para lá de mórbido. Naquela viagem ao Uruguai, a turbulência o assustou a ponto de torná-lo espectador assíduo de programas sobre desastres aéreos na TV como uma maneira de saber onde estava pisando.

– Nessa situação começou o problema do avião. Balançou bastante, rapaz. Então, me interessei por essa coisas do Discovery, Mayday… Fui ficando mais velho e mais medroso. Em Lyon, para ir a locais perto, como Auxerre, era aviãozinho fretado (risos). Jogador viaja demais. No Catar, eram 15 horas para vir para o Brasil. Não fico tão confortável mesmo. Por isso, prefiro procurar informações e sei como é um boeing, os modelos, quais já falharam, tudo… – contou.

 

Conta um funcionário do Vasco que o passatempo mais divertido nos voos era puxar papo com Juninho durante pousos e decolagens. Concentrado, por vezes de cabeça baixa, o ídolo não queria saber de nada. Até que, em certa ocasião, o comandante deixou a cabine para lhe pedir um autógrafo. Surpreso e receoso, Juninho não viu outra alternativa senão recusar. 

– Quem está lá pilotando, rapaz?! Não, não, volta lá! Depois eu dou autógrafo… – suplicou.  

Juninho adquiriu o respeito no vestiário e era discreto no dia a dia quando não precisava tomar decisões internas. Não fez tantos amigos por ser muito ligado à família e ao trabalho. Por isso, não chegou a ter vários apelidos, digamos, públicos. Os únicos dois que Ramon, que parou em 2012, se recorda eram Cabeção e Juna. Aliás, ambos dividiram quarto durante um período. Mas o ex-companheiro garante que o amigo era um contador de piadas também.

– Ele é um cara muito divertido, brincalhão. Às vezes não parece, mas com quem ele tinha intimidade, rolava essa zoação de maneira sadia. Quando se juntava com Ricardo Rocha, então, contava muita piada. Tem essa coisa do Nordeste dos dois, do sotaque, e quando o ambiente ficava descontraído, era muito gostoso. Vi seu crescimento como atleta e pessoa e fico orgulhoso de ter tido o privilégio de participar disso com ele – afirmou Ramon.

 

FALTAS: VIRTUAL E  NO CAMPO

 

Nas horas vagas, enquanto esperava a hora de calçar as chuteiras, o Reizinho tomou gosto pelo videogame. E não largou mais, mesmo aos 39 anos. Essa era a hora em que se misturava de vez à garotada do elenco, largava a faceta de conselheiro e desenvolvia sua habilidade em outro campo. Ou nem tanto assim. Ele confessa que não é um exímio jogador, mas que tenta se aprimorar online, sob um pseudônimo. Um dos principais parceiros é o assessor de imprensa do Vasco, Vinícius Melo, que o fez mergulhar no “novo mundo” da eletrônica.

– O videogame era um sonho de criança. Consegui ter um CCE e sempre gostei muito. Praticamente fui de criança para adulto, porque casei cedo e me dediquei ao futebol. Já tenho o PS4 há um tempo e uso isso como um momento de descontração. Geralmente quem joga são os mais jovens, como o Bernardo, que é bom, mas também estou sempre na internet com o Vinícius. Gosto do Fifa e uso o sistema ultimate, onde você monta seu time e tem química. É engraçado um velhinho jogando, mas de vez em quando consigo ganhar.

Não é comum, porém, escalar Juninho no futebol virtual. Embora seu boneco bata bem na bola, ele é lento, o que pode comprometer o time, dizem alguns de seus adversários. Aonde o craque se sente mais à vontade é no gramado de verdade, causando terror aos goleiros com seus chutes. Considerado pelo físico inglês Ken Bray o maior batedor de faltas da história, ele costumava praticar à exaustão na primeira parte da carreira. De diversos ângulos e jeitos de pegar na bola para não desperdiçar nenhuma chance quando estivesse valendo. O técnico Antônio Lopes foi um dos responsáveis por mostrar ao pupilo que era necessário

– Todos ficavam muito atentos naquela época para agradar o Lopes. Jogávamos no limite para ajudar o time. Treinávamos muito a bola parada, algo que não acontece hoje em dia. Chegava à exaustão. E o Juninho fazia com prazer. Isso o ajudou demais no fundamento – aponta Ramon, que dividia o posto com ele e com Pedrinho, o que nunca chegou a ser problema.

– Nós definíamos no olhar e na distância. Sempre respeitando um ao outro – completa Juninho.

Somente pelo Lyon foram 44 gols diretos, número raro em qualquer comparação. O camisa 8 atribui também à mudança da bola, que agora é mais leve e melhor para o batedor. No entanto, a queda de rendimento foi inevitável à medida que os treinos cessaram. Com a idade, a musculatura não era confiável, e o púbis, região que sempre lhe causou dores, não podia ser exigido, sob pena de abreviar a carreira. Isso afetou até mesmo os funcionários do Vasco.

– Sempre ficava lá vendo ele bater e pegando as bolas no gol. O treino dele não acabava mais (risos). Quando ele voltou, não queria mais. Eu perguntava: “Juninho, vamos lá bater umas faltas? Eu fico lá com você”. Mas ele dizia que não aguentava mais – contou o roupeiro Adão. 

 

LAÇO FAMILIAR ESTREITO

 

A proximidade da família sempre foi um traço marcante. Caçula entre cinco filhos, Juninho ligava para casa de sua mãe antes e após todos os jogos. Gostava de ouvir o que tinham a dizer. E jamais deixou de ir ao Recife nas férias. O médico Clóvis Munhoz, que operou o púbis em 1998, cita um caso que mostra como o ex-meia vascaíno era tido como xodó entre as quatro irmãs

 

– Uma irmã (Lúcia) dele é médica dele e estava na sala de cirurgia. Eu tive que pedir para ela se afastar, porque estava tão perto de mim que até participava. Veio do Recife para o Rio só pela preocupação e realmente estava muito ansiosa, mostrando o envolvimento direto da família. 

O próprio reforça a importância do alicerce familiar para seu sucesso e sua força mental.

 

– Foi muito importante na minha carreira. É uma relação forte e diferente quando você é criança e suas irmãs são muito mais velhas. Não existe família perfeita, isso é só em novela. Mas no fundo é com eles que você conta. E disso não posso reclamar. Tenho muito a agradecer.

O pai Antônio Augusto Reis Júnior, mesmo nome de Juninho, frequentava São Januário e virou sócio do clube na década de 50. Apesar de ser um torcedor original do Náutico, carregou o carinho pela cruz de malta por toda a vida – hoje, tem 79 anos e sofre com Mal de Alzheimer. E a mãe, dona Maria Helena, não esconde o amor que o filho cultivou pelo Vasco.

– Foi embora, mas voltou e o fim dele era sempre no Vasco porque ele quis. Ele gosta muito do Vasco. É de coração. Ele ama esse Vasco – diz.

 

SELEÇÃO DE TODOS OS TEMPOS

 

Tratado como o treinador que o fez ser completo, Antônio Lopes não tem dúvidas na hora sobre quem escolher para o meio de campo no melhor Vasco dos 116 anos de história. 

– Eu acho que qualquer torcedor, principalmente os mais antigos, que forem fazer uma seleção do Vasco da Gama de todos os tempos, colocam o Juninho com vaga cativa nesse time.

Juninho Pernambucano Vasco (Foto: André Casado)

– Tem jogador que não liga para essa coisa do clube, mas eu tinha isso
muito claro. A identificação. Vim do Vasco, eu dizia aonde fosse. Carrego o nome do clube desde que eu saí. Entendi que tinha de respeitar a historia do clube e me entregar para ganhar isso agora.

Ao dar o último adeus aos funcionários, Juninho causou comoção. Alguns, como a psicóloga Maria Helena Rodríguez, foram até a sala de coletiva oferecer um abraço. Não só pelo tempo de convívio ou pelo que alcançou no campo. Mas pelo modo como procurou dar atenção a todos, em especial aos mais humildes, que não seguraram as lágrimas ao falar com a reportagem. 

– Um cara educado, fora de série. Tratávamos ele como um filho. Sempre pensou na gente, nos ajudou muito, muito mesmo. Até quando a gente dizia que não estava precisando. E antes de ir disse que estaria sempre com a gente. Eu acredito – afirmou, emocionado, o roupeiro Adão. 

 

* Colaborou Raphael Pirrho

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Fonte: Globo.com

 
 
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