Futsal: Após dois anos, Vasco volta a ter equipe adulta própria; Time já se apresentou e treinou


 

Em pé: Gabriel, Fernando Oliveira, Mauro, Luiz Felipe Goveia (preparador de goleiros), Kleiton de Assis (supervisor), Marco Bruno (gerente do Departamento de Quadra e Salão), Marcelo Akra (treinador), João Pedro Couto, Bernardo, Danilo Mattos (preparador físico), Caio Lus, Marcelo Morais (diretor de futsal) e Sérgio Peres.

Agachados: Yuri Tatsch, João Júnior, Kelvyn Cardoso, Renato Paes Leme, Allyson Mendes, Victor “Tim Maia”, Renan “Kinder”, Lucas Mayão, Leonardo Moura e Sinésio.

O Vasco da Gama volta a ter uma equipe adulta de futsal própria. Após disputar os dois últimos campeonatos estaduais (o Carioca, no 1° semestre de 2013, e o Estadual, no 2°) em parcerias com outros clubes – respectivamente com Tamoyo, de Cabo Frio, e Corrêas, de Petrópolis, com os jogadores sendo dessas equipes e as partidas realizadas nessas cidades -, o Departamento de Quadra e Salão do clube, comandado pelo vice-presidente Ricardo Leon Haddad e pelo gerente Marco Bruno, conseguiu viabilizar um time que treina em São Januário e será mantido exclusivamente com recursos obtidos diretamente pelo clube.

O time adulto vascaíno (com 14 jogadores, além de alguns que não compareceram) já se apresentou para o primeiro treinamento na noite desta segunda-feira (03/02), em São Januário (atividade realizada nas quadras externas), e o treinador será da casa: Marcelo Akra, que desde 2010 dirige o time sub-20 do Gigante da Colina e que, em seu largo currículo de experiências comandando equipes adultas, treinou o Vasco em sua primeira experiência deste tipo, em 1994.

Mas o orçamento está longe de ser farto. Assim, fica muito distante das equipes que disputam a Liga Futsal e dos principais jogadores do país. Entretanto, caso seja bem sucedido, pode levar à elaboração de um novo projeto, este sim para o clube retornar à disputa do título nacional, mas isto fica para o médio prazo, pelo menos para 2015. Os recursos obtidos junto a patrocinadores, além de custear toda a logística inerente ao esporte, como transporte, taxas etc., serão utilizados para pagar pequenas quantias aos atletas, sendo uma espécie de ajuda de custo. O elenco é composto majoritariamente por atletas muito jovens, que há pouco tempo saíram da categoria sub-20, na qual se destacaram e chamaram a atenção da comissão técnica. Muitos deles com passagem nessa categoria em São Januário. O clube foi bem sucedido no juvenil nos últimos anos, com diversos títulos estaduais e três vice-campeonatos brasileiros. Como atletas que participaram das equipes sub-20 do Vasco nos últimos anos e que comporão o time adulto, podemos citar o goleiro Caio Lus (com passagem pelo Santos e que retornou ao Vasco no segundo semestre de 2013), Renato Paes Leme, Renan “Kinder”, João Junior (também com passagem pelo Santos, que desfez suas equipes de futsal), Kelvyn, João Pedro Couto etc.. Dos integrantes da equipe, três ainda são sub-20 e poderão ser utilizados caso necessário pelo time juvenil, embora a prioridade seja o adulto: são eles João Pedro (já citado), Victor “Tim Maia” e Sinésio, que já disputaram pelo clube o Estadual sub-20 de 2013, no último semestre.

Diante de tanta juventude, é objetivo da direção e da comissão técnica dar pitadas de experiência a essa equipe. Neste sentido, é explicada a opção por uma equipe enxuta, evitando um inchaço que impeça a chegada de jogadores com o passar dos meses, de preferência com experiência.  Como jogador experiente confirmado, o goleiro Gabriel Miraglia, que tem 26 anos e é naturalizado italiano. Ele jogou no Vasco em 2004, e no Rio de Janeiro também passou por Flamengo, Fluminense, São Cristóvão e Olaria. Depois disso, rumou à Itália, onde foi campeão nacional por duas oportunidades, no Marca Futsal (2010-2011 e 2012-2013), além de ser goleiro da equipe sub-21 italiana, ficando em segundo lugar no Campeonato Europeu da categoria, em 2008.

As competições oficiais ainda estão distantes. O principal foco para o primeiro semestre de 2014 é o Campeonato Carioca, cuja realização sequer é certa. A Federação de Futsal do Rio de Janeiro (FFSERJ) encontra-se em processo eleitoral, e nos últimos anos as competições adultas estiveram bem esvaziadas. Como equipes que mostraram equipes para a competição, até o momento apenas o Vasco e a Drogaria do Povo, de Cabo Frio, que foi campeã estadual nos dois semestres de 2013 e disputará a Liga Futsal neste ano. A equipe cabofriense é a única em regime profissional no Rio de Janeiro, e tudo indica que continuará com esse posto, treinando em tempo integral e com orçamento mais avantajado.

Visando a dar rodagem à equipe, o DQS do Vasco procura formas de realizar excursões com a equipe para outros estados, para a realização de amistosos. Uma viagem para Santa Catarina está sendo alinhavada e pode ser confirmada em breve. Em breve a equipe será apresentada de forma oficial, em evento a ser realizado no Salão Nobre Chico Anísio, para o qual serão convidadas as principais figuras da diretoria do clube, como o presidente Roberto Dinamite e o vice-presidente Antonio Peralta.

Em uma entrevista exclusiva ao Blog CRVG – Em Todos os Esportes após a apresentação da equipe e o primeiro treinamento, Marcelo Akra revelou para a nossa equipe o processo para a formação da equipe, com os critérios utilizados pela comissão técnica:

– Fizemos um “check list” para nortear o que iríamos fazer. Alguns critérios mais importantes foram os seguintes: jogadores jovens que tivessem apresentado nas categorias até o sub-20 boa qualidade técnica para que pudéssemos apostar neles na categoria adulta; jovens que fossem priorizar o futsal em detrimento de outras atividades, como faculdade. Não que nós queiramos que eles não estudem, mas nesse horário (treinos e jogos) não tem espaço para fut 7, faculdade. Este foi um outro critério:

 
 

No primeiro dia de treinamentos da nova equipe adulta do Vasco, Marcelo Akra (de camisa branca, ao centro), orienta os seus comandados, ao lado do preparador físico Danilo Mattos e do preparador de goleiros Luiz Felipe Goveia

Ele felicita a volta ao clube de diversos jogadores que, sob o seu comento, obtiveram diversos êxitos na categoria sub-20, embora lamente que outros atletas dessas equipes não tenham vindo, em virtude de propostas melhores. Ele também destaca a orientação da direção do DQS para que fosse montado um grupo enxuto, a fim de que haja possibilidade de chegada de peças pontuais com o passar do tempo:

– Conseguimos resgatar alguns atletas que já foram nossos no sub-20, que já foram campeões conosco, que foram para o Brasileiro conosco e fomos v
ice-campeões. Outros não conseguimos resgatar, mas não por falta de interesse, muito pelo contrário. Eles alçaram voos já que neste momento não nos permitiu repatriá-los: o Ernane, que está no Suzano e vai jogar a liga nacional, o Jean, que está no Umuarama e vai disputar a liga; o Guti, que foi nosso capitão na conquista de 2011, falei com ele, que ficou muito feliz, mas vem tendo muitos convites de time de liga nacional. Então, dentro do pudemos repatriar nós repatriamos. Completamos com alguns outros que não eram nossos, mas tiveram boas passagens nas categorias até o sub-20. E, seguindo a orientação da nossa gerência, estamos fazendo um grupo muito enxuto, completado com alguns sub-20. No primeiro treino tivemos três sub-20 que para nós vão ser jogadores de adulto apesar de serem jogadores sub-20, mas vão estar à disposição do sub-20 quando assim for necessário. Mas vão treinar só com o adulto. Estamos esperando mais para frente a definição de Federação, calendário, e sempre na expectativa, deixando espaço para o surgimento, como o Marco Bruno gostar de falar, de alguma “metralhadora”. Sabemos que quando chegar mais perto da competição vai surgir gente interessada e que, se a gente já estivesse com um grupo formado hoje, não teríamos mais espaço ou teríamos que fazer um grupo inchado. Então a intenção desse “check list”, além desses critérios dos quais eu já falei, é também deixar espaço para a chegada de atletas que teoricamente não poderiam ficar de fora.

O desafio de treinar a equipe adulta do Vasco

Perguntado sobre o que representava para ele comandar o time adulto do Vasco numa tentativa de o clube resgatar as suas tradições de grandes resultados na categoria –por exemplo, o Gigante da Colina é o único clube do estado do Rio de Janeiro com o título da Liga Futsal, em 2000, mas o último Estadual conquistado foi em 2001 -, ele se alongou e falou sobre toda a sua passagem pelo clube. Ele revela que já treinou o adulto do Vasco, em 1994, e fala sobre o que representa para ele treinar o adulto após alguns anos exercendo seu trabalho no sub-20. Para os jogadores, ele ressaltou a importância de eles terem sido escolhidos para essa missão:

– Eu vou contar uma história com a qual os atletas brincam muito… O Gutierre, capitão do time campeão em 2011, brincava que, quando eu ia dar entrevista, o repórter dormia (risos). O primeiro time de adulto que eu dirigi depois que eu parei da jogar foi o Vasco, em 1994, era um adulto de muita qualidade, fomos à final naquele ano. O Marco era o gerente também (risos). Dali em diante eu dirigi outros adultos, trabalhei fora do Rio. Então para mim é um prazer gigantesco. A minha palestra de receptividade aos atletas não foi com a intenção de motivá-los, foi o que eu realmente penso. “Por que nós? Por que eu? Por que esses 12?”, se formos parar para fazer uma lista, citamos uns 300, por que esses 12? Talvez haja trinta treinadores aí para trabalhar, por que eu? Essa pergunta me remete não apenas ao primeiro time adulto que eu dirigi, e que me levou para voos mais altos, como também a acreditar que o que a gente vem fazendo desde 2010 suscita essa confiança. Então, por que eu, por que eles? Porque acho que a princípio nós somos capazes de resgatar o adulto do Vasco, motivar essa diretoria com boas apresentações. Mais do que vitórias, boas apresentações. Porque a gente quer mais. Estamos muito felizes com o dia de hoje, mas queremos mais. Estávamos muito felizes com o sub-20, mas queríamos mais. Quando alguns desses atletas saíram daqui porque estouraram a idade, eu falei a eles “pode me chamar de maluco, mas eu não perdi a esperança de repatriar vocês e fazermos um adulto forte aqui”. O que parecia uma loucura já é um pontinho de verdade. Para nós isso é muito bom, mas queremos mais. Eu volto para a minha origem, e muito feliz pela credibilidade depositada na gente.

Não poderíamos deixar de perguntar ao treinador sobre sua projeção de resultados. Diante da fragilidade do futsal fluminense nos últimos anos, com campeonatos esvaziados, Marcelo Akra crê que sua equipe vai entrar no Campeonato Carioca, caso ele mesmo seja realizado, para brigar pelo título. O clube tenta apagar a impressão que deixou na última oportunidade em que disputou competições com equipe adulta própria: no primeiro semestre de 2012, o campeonato tinha nove equipes, e as oito primeiras se classificaram às quartas de final. Apenas uma seria eliminada: e esta, vergonhosamente, foi a do Vasco, que foi um verdadeiro “saco de pancadas” ao longo da competição, sendo goleado na maioria dos jogos. Akra fala sobre suas expectativas quanto a resultados, embora também ressalte a falta de condicionamento físico e técnico de seus comandados no momento:

– Conversamos isso aqui entre a comissão técnica. Estávamos observando do lado de fora este primeiro treino e comentamos. Em função do momento do futsal do Rio de Janeiro, encontramos jogadores com qualidade técnica, mas não jogam futsal, no adulto, há pelo menos dois anos porque não tem campeonato, ou que nunca jogaram adulto porque foram muito bem no sub-20 e, após terminar o sub-20, não tinham adulto para jogar. Temos esse quadro aqui, esse é um fator complicador, mas nos motiva. E no treino de hoje, o primeiro treino, percebemos isso, ficou claro para a gente, na parte física. Foi um treino básico, e o pessoal estava exausto. Fisicamente, não apenas organicamente, mas morfologicamente também, a parte visual, os jogadores acima do peso, pessoal sem condição cardiorrespiratória. A parte técnica muito abaixo do que acreditamos que eles possam apresentar, do que eles podem apresentar. Mas é normal. Então, para fazermos uma projeção simples, até porque hoje, como Marco falou, tem o Drogaria do Povo e mais ninguém, uma coisa é fato: o Vasco entra para disputar título. A projeção que eu faço é que a gente vai disputar título, vai disputar título não para participar, a gente monta time para disputar título – enfatizou e encerrou Akra, com exclusividade ao blog.

O Blog CRVG – Em Todos os Esportes deseja todo o sucesso aos vascaínos nessa nova empreitada e promete dar todo o apoio ao longo do ano, com cobertura de treinamentos, jogos, matérias especiais etc. Para nós, o clube deve pensar no futsal em si, não apenas como formador de jogadores para o campo, mas também como um esporte no qual o clube tem muitos títulos. Todo vascaíno que acompanha o futsal do clube tem todo o prazer de dizer que o Gigante da Colina é o único do clube do estado do Rio de Janeiro a conquistar a Liga Futsal. Vamos, Vasco!

Fonte:  CRVG – Em Todos os Esportes

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