Carlos Germano e Mauro Galvão falam sobre a aposentadoria de Juninho


O nome Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior poderia ser de um empresário ou, até mesmo, de político importante, mas o destino quis que este nome extenso fosse colocado no diminutivo e depois entoado por milhões de vascaínos nas arquibancadas do Brasil e do mundo.
 
Juninho Pernambucano foi um jogador que com o mesmo pé conseguia tratar a bola com um toque refinado ou realizar chutes violentos em direção ao gol do adversário. Com o número 8 estampado nas costas, o Reizinho fez história no Vasco da Gama, tendo ajudado na conquista do primeiro título do time da São Januário da Copa Libertadores da América, no ano de 1998.
 
“A vida é assim, a gente não tem com controlar ela. Se a minha carreira era para ser vitoriosa e se o meu último jogo como profissional eu sai com lesão de campo, eu não tenho direito de reclamar sobre nada do que aconteceu na minha carreira”, disse Juninho. Além de faturar o título da competição das Américas na Argentina, o time Cruz-Maltino fez uma atuação tão boa que cativou a torcida do adversário River Plate e os hermanos chegaram a se ajoelhar aos pés da majestade na semi-final da Libertadores de 98. Apesar de todas as glórias, infelizmente, tudo tem um fim. Em uma entrevista o técnico Adílson Batista lamentou não poder contar com Juninho na temporada de 2014. 
 
“Eu sei do grau de dificuldade que é, além do momento da gente tomar esta decisão. Eu sei que é muito difícil. Pela contribuição, pelas conquistas, pela carreira, ele é um atleta bem consciente, maduro e exemplar profissionalmente. É evidente que o Vasco perde, e muito, mas faz parte da vida e temos que pensar na frente”, declarou. 
Havia a possibilidade de tentar convencer o atleta a continuar a atuar sem se preocupar tanto com a marcação, mas, segundo o técnico do Vasco, nada foi feito. 
 
“O final do ano foi difícil, ele sentiu em dois jogos e sofreu uma lesão. Profissionalmente ele foi se tratar, chegando a trabalhar fora. O intuito era iniciar uma pré-temporada, ele foi junto, tentou. Ai eu destaco o profissionalismo dele. Eu cheguei a conversar com ele para adiantá-lo um pouco, deixá-lo como meia por conta da qualidade dele, mas faz parte. Vamos respeitar a decisão do atleta”, declarou. 
Quem também lamentou a aposentadoria do Reizinho foi o preparador de goleiros do time de São Januário, Carlos Germano. Segundo ele, “é triste ver o Juninho Pernambucano perder para o próprio corpo”. 
 
“Primeiro é que a gente lamenta profundamente esta decisão do Juninho, embora ele já viesse dando sinais de que isto aconteceria realmente neste ano. O que não era sabido é que seria tão precoce. O Juninho sempre foi assim, simples desta forma. A vida toda ele foi um cara que se cobrava muito, desde quando ele chegou aqui em 1995. Até hoje você vê ele se cobrando bastante sobre a sua forma física, por exemplo. É louvável a atitude dele, ainda mais que ele vinha treinando com a gente na pré-temporada neste início”, afirmou. 
Em sua carreira, foram 204 gols marcados em 795 jogos em passagens pelos clubes Sport, Vasco, Lyon (França), Al Gharafa (Catar), New York Red Bulls (Estados Unidos) e Seleção Brasileira. 
 
Majestade por onde passou, mas a consagração veio de verdade em 1995, quando chegou no Vasco da Gama. 
“A gente já tinha mais ou menos uma ideia. O Juninho, apesar de ser muito jovem, já havia se destacado com junto com o Leonardo no Sport. A gente sabia do potencial dele ainda mais quando jogávamos contra. Nesta altura, o Juninho vinha surgindo como um dos grandes nomes do esporte. Em 1995 e 1996 a gente não atravessava um bom momento, mas Juninho fez boas atuações e o Vasco resolveu mantê-lo dentro do clube. Foi uma época vitoriosa”, disse Germano 
 
Mauro Galvão, capitão do time Cruz-Maltino no fim dos anos 90 e companheiro do Reizinho, lembra que já observava desde o início aquele jogador magrinho e sabia que ele não seria apenas mais um. 
 
“Desde quando eu cheguei aqui eu vi um jogador com muito talento, muito profissional e muito preocupado com que as coisas saíssem bem. Acho que isso é muito importante. Ele sempre teve aquela responsabilidade que eu acho importante todo atleta ter. Além disso, o Juninho cresceu na parte tática, sabendo como se comportar dentro de campo”, afirmou. 
Foi justamente em meados da década de 90 que toda admiração começou. 
 
No dia 22 de julho de 2012, quando os torcedores do Vasco comemoravam 14 anos do gol em cima do River Plate, no Rio nascia outro Juninho. 
 
Aliás, nascia o Juninho Pernambucano de Oliveira da Silva, filho de Marcos Vinicius da Silva, vascaíno e morador da Praça Seca. 
Apaixonado pelo Vasco e fã do Juninho, batizar o oitavo filho com o apelido do ídolo, pelo menos para Marcos, não foi nenhuma loucura. 
 
“Não acho loucura não, os famosos colocam vários nomes e ninguém fala nada. Se eu boto Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior, ninguém saberia que era o Juninho, então tive que colocar Juninho Pernambucano. Tenho uma satisfação imensa em poder homenagear este ídolo, que nos deu diversas alegrias. O meu amor pelo Vasco e acima de qualquer dimensão”, disse. 
 
Gols, vitórias, títulos, reconhecimento… Mas a caminhada acabou, a estrada chegou ao fim. O que fazer daqui pra frente, Juninho? 
 
“Eu não me vejo fora do futebol, mas é claro que eu não quero fazer está transição muito rápido pois quero curtir um pouco essas férias prolongadas. Eu vou voltar ao futebol, ser treinador sempre passou na minha cabeça. Apesar disso, a tendência é que eu possa comentar futebol. Já fui convidado para isso por conta da copa do mundo. Quem jogou futebol por muito tempo e se dedicou de corpo e alma sente muita falta. A gente começa a procurar alguma coisa para suprir esta necessidade”, declarou. 
E a gente agradece. 
 
Cada vascaíno te agradece pelo gol histórico, pelas tantas conquistas, pela coragem em tentar ajudar o Vasco até o limite da condição física, assim como todos os amantes do bom futebol, independente do clube d
e coração. 
 
Fonte: Super Rádio Tupi
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