Juninho ganha homenagem, chora e resume " Meu destino era aqui porque meu pai era sócio do Vasco"


Juninho Pernambucano despedida Vasco (Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo)
Juninho Pernambucano escreveu na tarde desta segunda-feira o seu último capítulo como jogador do Vasco, deixando na torcida uma sensação de perda, mas com a condição de eterno ídolo dos cruz-maltinos. Em fase de reforço físico depois da recuperação de uma lesão muscular, o Reizinho já vinha reclamando de dores e das dificuldades no processo, o que o levou a oficializar sua aposentadoria em entrevista coletiva concedida em São Januário.

– Não tenho muito o que falar, só agradecer. Resolvi parar porque depois da última lesão eu tinha decidido parar. Me recuperei e fui convencido a fazer a pré-temporada para tentar voltar a jogar no Carioca, até pela possibilidade real de uma conquista. Mas chegou a hora. Se o Roberto parou, o Romário, Zico, não teria como esse dia não chegar. Convivi sendo o vovô do time, eu sempre brincava porque no dia a dia era o mais velho, mas na escola para buscar meus filhos era o pai mais novo. Mas no futebol não dá para se divertir, fiz sempre com amor e paixão e também com muita responsabilidade. Entendi cedo minhas deficiências e isso me levou até aonde cheguei.

Juninho havia adiado a aposentadoria no início de 2014 para disputar, ao menos, o Campeonato Carioca. Assinou contrato até o dia 30 de maio, mas o acordo previa, no entanto, que o jogador poderia encerrar a carreira a qualquer momento. O Reizinho estaria a sete jogos de completar a expressiva marca de 400 com a camisa do Vasco, clube que mais defendeu em campo: 393 partidas, com 76 gols, segundo levantamento do site “Futdados”.

Seu último jogo como profissional foi no dia 10 de novembro de 2013, contra o Santos, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. O jogador sofreu uma grave lesão muscular na coxa direita durante a partida e perdeu a reta final da competição, que acabou com o rebaixamento do Vasco. Depois de longa recuperação, Juninho vinha seguindo uma programação especial preparada pelo departamento médico do clube para tentar disputar o Carioca. Mas ainda reclamava de dores musculares pelo esforço. Em sua única entrevista em 2014, no dia 15 de janeiro, ele já admitia que estava difícil suportar o ritmo da pré-temporada.

Agora, com a carreira encerrada, Juninho pretende tirar férias e, quando retornar, deseja seguir trabalhando com futebol.

– Eu não me vejo fora do futebol, mas queria curtir umas férias prolongadas. Vou voltar ao futebol. Ser treinador sempre passou pela minha cabeça, quero um projeto interessante. Vou comentar futebol na Copa. A tendência é continuar, sem definir a função. Quem se entregou de corpo e alma sente muita falta. Como todo atleta de alto nível, procuramos algo para suprir o que o corpo pede.

Confira a entrevista do ex-jogador:

Título que faltou

– A página que faltou, eu sonhava ser campeão do mundo. Mas isso não incomoda. Curti bastante também no Al-Gharafa. Depois seis meses nos Estados Unidos, agradeço por essa oportunidade de vida. Voltei e tudo que recebi aqui foi sempre especial. Agora começo nova vida, não sei como e nem aonde.

Esforço

– Claro que se eu tivesse experiência desde o início tudo seria mais fácil. Mas sempre pedi a Deus para fazer as melhores escolhas. A todo momento você tem de fazer escolhas, depois saberemos se é certo ou errado. Ter jogado até aos 39 foi um privilégio. Foi mais difícil do que imaginei. Todo esforço foi recompensado.

Lesão na última partida

– Pensar, eu pensei, mas a vida é assim. A gente não a controla. Se meu último jogo eu saí com lesão, não posso lamentar. Quando olho para trás, é para aprender. Não imaginava tantos títulos, ter marcado uma história aqui, no Lyon. Prefiro olhar o que foi conquistado. Poderia ter forçado uma situação, ter entrado ontem no fim, falar que ganhei do Botafogo e parei de jogar.

Postura fora de campo

– Pela orientação que recebi, a boa educação, isso me ajudou muito. O que custa usar a camisa dessa campanha? A ajuda real é quando você tira de algo que vai fazer falta a você. Não fiz nada, é tão pequeno. Gostaria de ter feito muito mais. Quando tive tempo, participei de campanhas, mas como cidadão deveria ter feito mais.

A decisão

– Quando os treinos eram mais fortes, eu tinha dificuldade para treinar no outro dia. O Adilson preparou a equipe e precisava de uma definição, mas sempre me deixou à vontade. Estava difícil repetir os treinamentos. Ainda fiz um coletivo, mas depois fiquei dois dias sem treinar. No começo da semana passada expliquei à comissão que tomei a decisão de parar.

– Eu conversei algumas vezes com a minha família. Estava incomodando continuar treinando. Depois de um jogo no Carioca, deixei para pensar até segunda-feira. O treinamento hoje é jogo, é uma final. Quando não tem mais condição de levar a carreira assim, tem de parar.

 
juninho pernambucano vasco despedida   (Foto: Edgard Maciel de Sá)

Sem volta

– É difícil de explicar, mas talvez o fato de ter insistido até o fim, continuar treinando, foi me deixando mais na realidade. Se eu me arrepender no ano que vem, não tem mais tempo, com 40 anos. Eu prefiro pegar os exemplos dos grandes que pararam e deram seguimento à vida.

Copa do Mundo de 2006

– A Copa de 2006 passou, era uma geração campeã em
2002 e com dificuldade de ter sucesso em 2006. Não fui campeão em 2006, talvez tenhamos perdido a noção da força de trabalho. Mas foi um privilégio ter jogado com aqueles jogadores.

Volta para o Vasco

– Desde que saí do Brasil, recebi propostas para voltar. Todo o atleta que sai, tem o Brasil com as portas abertas se vai bem lá fora. Eu queria voltar ao Vasco. Antes eu não tinha condição pelo planejamento de vida. Depois recusei mais dois anos pelo Al-Gharafa e voltei ao Vasco. Eles apostaram em mim em 1995. Eu naquela época não vim de contrapeso do Leonardo, custamos o mesmo. Alguém criou isso. Eu poderia ter vindo em cima de um jumento que jogaria.

Ligação com o clube

– Meu destino era aqui porque meu pai era sócio do Vasco em 1958. Tenho essa carteira. Isso foi bacana, mas não imaginava que seria algo tão forte.

Torcida do Sport

– Educação é fundamental. Meus familiares estavam no estádio com a camisa do Sport e aplaudiram o gol de falta. Eles me levaram pela primeira vez ao estádio. Eu reconheço que foram eles que me ajudaram no começo, mas aqui que tudo aconteceu. Nunca ia esquecer de onde eu vim e não trataria com desrespeito o Sport.

Despedida contra o River

– Cogita-se o River Plate, seria legal enfrentar o Lyon aqui. Mas o River está mais próximo. A intenção é fazer com o elenco atual, vou manter a minha forma.

Futuro

– Fui convidado para ser comentarista na Copa. Não está definido, mas é uma oportunidade de ver a Copa de perto. O Vasco tem real condição de ganhar o Estadual, depois vai ter a parada para a Copa. Se der para encaixar alguma coisa, a gente faz. Mas não há obrigação. A concentração aqui é total.

Agradecimento e arrependimento

– Sou grato a todos, me ajudaram a superar as derrotas e curtiram por mim as vitórias, algo que não fiz. Se me for para me arrepender de algo, é que fui tantas vezes campeão e não comemorei. Deveria ter curtido mais meus momentos. Isso eu me arrependo, passava uma situação, eu já estava preocupado com o que viria depois.

Fonte: GloboEsporte.com

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