Pedro Valente: 'Basta o Vasco ganhar dois joguinhos seguidos e parece que acabou a crise'


A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO POLÍTICA 
 
 
Basta o Vasco ganhar dois joguinhos seguidos e parece que acabou a crise. Crise administrativa, esportiva, financeira e sobretudo moral, porque passa o Clube. 
 
São relativamente poucos os torcedores, sócios ou não, que acompanham ou sequer se interessam pelos acontecimentos políticos de um clube de futebol. 
 
O que realmente interessa ao torcedor é o resultado esportivo imediato do time de futebol. 
 
Apenas em 1967, quando entrei para a administração do Vasco, como Vice-Presidente, é que comecei a me interessar pela política do Clube. 
 
Antes, desde a minha infância, vendo a fantástica trajetória do inesquecível Expresso da Vitória, ficar sete anos invicto contra o Flamengo, praticamente ganhando todos os títulos, eu só sabia mesmo o nome do Lelé, do Danilo, do Ademir. Aos oito anos já sabia de cor o time do Vasco, colocava, orgulhosamente, no meu jogo de botões (aquela época se jogava botões, bola de gude, se soltava pipa, não havia vídeo game) os nomes dos jogadores do Vasco. Não me lembro de ter conhecimento dos nomes dos dirigentes do Vasco à época. Mesmo do nome do lendário Cyro Aranha, que veio mais tarde, para minha imensa honra, se tornar meu amigo, quando entrei para a política do Vasco. 
 
Por tudo isto é imprescindível que nós que militamos na política cruzmaltina, além de darmos tudo de nós, nos conscientizemos da nossa importância, por sermos relativamente muito poucos, em relação à dimensão da nossa extraordinária torcida. 
 
Os destinos do Vasco, inclusive e especialmente as suas vitórias dentro de campo, dependem da nossa atuação quer como dirigentes, quando assumimos o poder, quer como oposição firme, desassombrada, honesta, fiscalizadora e construtiva, na medida em que o Vasco esteja sendo mal dirigido, como tem acontecido ultimamente. 
 
Cumpre recordar aqui o genial texto de Bertolt Brecht: 
 
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos 
 
acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, 
 
da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. 
 
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia 
 
a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o 
 
menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, 
 
pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.” 
 
E assim, como na política, é também no futebol. 
 
Se não nos conscientizarmos da importância de nossa participação política, sempre atentos à gestão do nosso Clube, estaremos prestando um desserviço e inevitavelmente contribuindo para o desastre esportivo, como ocorreu nos três rebaixamentos: dois vergonhosos no futebol e um gravíssimo financeiro relativo à cota de TV, na “administração” dinamite. 
 
Estamos às vésperas de eleições, após um doloroso período de trevas. Temos que participar todos nós, nossa torcida, sócios e não sócios, para não permitirmos que nenhum dos elementos que participaram desta “administração” e que lá permaneceram, desde os descalabros iniciais, jamais regressem à administração de nosso Clube, a fim de que o Vasco retorne ao seu inexorável caminho de glórias. 
 
Explico-me melhor: os que, inicialmente iludidos com um falso ídolo e que após os três primeiros anos romperam com aquele deplorável estado de coisas, eu isento de responsabilidades. Entretanto os que continuaram apoiando os crimes de lesa Vasco então cometidos e que participaram da reeleição desta catástrofe chamada “gestão” dinamite, estes absolutamente não devem retornar, direta ou indiretamente, à administração do Vasco jamais. 
 
É com espanto que vejo alguns nomes, alguns manjados e outros nem tanto, na maior cara de pau, se apresentando como candidatos ou ancilares, não se sabendo bem se de “oposição”, coisa que realmente não são ou de situação, coisa que fingem não ser, apesar de continuarem lá, se locupletando das benesses. Tartufos, pilantras, políticos vigaristas, como diz Brecht. 
 
Pedro Valente 
 
Fonte: Site oficial de Pedro Valente

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