Com língua afiada, Juninho ataca CBF, alfineta politicagem do Vasco e diz que pode parar em um mês


Juninho - Coletiva do Vasco (Foto: Bruno Braz)
 
Com duração de mais de uma hora, Juninho Pernambucano concedeu sua primeira entrevista coletiva e mostrou que chega para 2014 com a língua afiada. Quase sem precisar de perguntas, ele, em nome do Bom Senso, disparou contra a CBF, o calendário brasileiro, o STJD e revelou que são grandes as chances do Campeonato Brasileiro deste ano ser paralisado caso a entidade não atenda às exigências do grupo. A metralhadora giratória também apontou para o seu clube, o Vasco. O ídolo da Colina fez insinuações sobre o interesse de políticos em entrar no Cruz-maltino mesmo com este acumulando dívidas milionárias.
O Reizinho também teve tempo para falar sobre sua cada vez mais próxima aposentadoria. Admitindo estar sentindo dificuldades na pré-temporada, ele não destacartou parar em um mês, mas destacou que a forte tendência é a de que isso aconteça ao fim do Campeonato Carioca e que são grandes as chances de seguir o mesmo caminho de Seedorf como treinador, embora não tenha recebido esse convite em específico do Lyon (FRA), seu ex-clube.
 
Confira abaixo a “quente” entrevista de Juninho Pernambucano em Pinheiral (RJ).
 
DECIDIR CONTINUAR
– Eu realmente tinha decidido parar. Claro que é muito duro. Fiquei pensando nisso nas férias, mas a tendência era parar. O Rodrigo Caetano e o Roberto Dinamite me ligaram e disseram para eu tentar jogar o Campeonato Carioca. Eles achavam que eu poderia terminar de outra forma que não a da imagem saindo machucado. Fui convencido por esses argumentos e o Adilson Batista aceitou. Estou muito atrás do grupo, está difícil recuperar a forma. O acerto é que eu iria fazer o treinamento. Se eu não conseguir ficar a disposição, eu paro. Mas a intenção é voltar e disputar o Carioca. Futebol não joga só com o nome. Essa pré-temporada tem sido bem difícil. Quero seguir o planejamento e tentar ajudar o Vasco. Se eu não conseguir, paro.
 
REESTREIA
– O planejamento da preparação física é que até que eu volte a fazer os trabalhos finais, como chutes de longe e lançamentos, o prazo seja de um mês. Dizer que dia estarei à disposição é complicado. Tudo vai depender da evolução dia após dia. Não pode ter expectativa. O grupo está mudado, mais jovem. Fica difícil dizer quando eu vou voltar, pois não pega bem para o grupo. Quero ficar à disposição do Adilson.
 
GRUPO ATUAL É MAIS FORTE?
– Não posso dizer que é mais forte, pois é injustiça com os que saíram. A gente lamenta pelos que saíram e estão treinando em separado. Entende que a decisão é da comissão. Chegaram novos jogadores, outros voltaram, como o Fellipe Bastos e o William Barbio. É torcer que esse time jovem tenha uma nova cara o quanto antes. Essa é a realidade do Vasco. Tentaram enxugar a folha e fazer um time competitivo.
 
CONTINUAR POR MAIS TEMPO
– Tudo muda muito rápido. Meus últimos contratos foram assim. É difícil prometer jogar a Série B. Se pudesse, queria jogar a vida inteira, mas também não quero entrar em campo sem render o que posso. Não dá mais para enganar no futebol.
 
ELOGIOS DE GUIÑAZÚ
– É gratificante ouvir isso de um companheiro. Acho que não tivemos a felicidade de jogarmos juntos muito tempo. Foi um cara sempre presente. Minha história no Vasco é muito forte, com momentos ruins e momentos bons. É legal quando os mais velhos elogiam. Às vezes os mais novos se sentem na obrigação de elogiar. Vindo dele é bem real.
 
BOM SENSO FUTEBOL CLUBE
– Sou totalmente a favor. A CBF não recebeu o movimento como deveria e não o respeitou como deveria. Temos a melhor seleção do mundo, mas não temos a melhor competição do mundo. A intenção é mostrar que jogar a cada três dias, com tantas competições, está muito difícil. A tendência é que o nosso futebol não evolua. Acredito que se o Bom Senso não for ouvido, corre-se o risco de o campeonato ser parado. A mobilização para a paralisação do Campeonato Brasileiro já está ocorrendo e a tendência é a de que aconteça, caso a CBF não atenda às revindicações do Bom Senso.
 
CONTRA A VIRADA DE MESA
– Sou a favor de um campeonato com 20 equipes, sem virada de mesa. Entendo o torcedor, mas minha opinião é essa. A Portuguesa vir em um campeonato inteiro para se suicidar na última rodada, isso precisa ser investigado. É muito mais honroso voltar e jogar uma Segunda Divisão. Não conheço de lei, conheço de futebol, e muito mais que as pessoas do STJD. Tudo isso que aconteceu tira a credibilidade do futebol brasileiro para o mundo.
 
CRíTICAS AO STJD
– Sou contra a enxurrada de ações. O tribinal esportivo tem que ser respeitado, mas essa coisa de todo dia ter algo de STJD criou uma raiva nas pessoas, nos torcedores. Agora temos centenas de ações na Justiça comum, que tem outras preocupações para resolver no Brasil.
 
APOSENTADORIA
– É um desafio aquela coisa de não querer parar. Esse dia a dia tem sido mais difícil. Se não der para continuar, volto daqui a um mês e paro. A tendência é que, mesmo jogando bem, eu pare após o Carioca.
 
REBAIXAMENTO
– No fundo você mantém uma esperança, mas, com a experiência de 27 anos de futebol, sabia que a situação era muito difícil. Sabia que a gente não passava muita confiança para o torcedor. Tinha a sensação de que a gente começava sempre atrás. Vi um jogo incrível contra o Cruzeiro, mas a rodada não ajudou. O Atlético-PR era melhor que a gente. Agora é voltar o mais rápido possível para recuperar a grandeza do Vasco.
 
NÃO ESTAR PRESENTE NA RETA FINAL
– Não achava que tinha alguma coisa para colaborar no dia a dia. Acho que não seria uma posição relevante estar no vestiário. Até porque não sabia se continuaria. Muita gente vai ao vestiário e não soma nada. Eu mantinha contato com alguns jogadores, mas o grupo não caminhava de maneira conjunta. Foi uma escolha, nada pensado. Me lesionei e decidi viajar cinco dias. Nada que prejudicou ou deixou de ganhar por isso. É injusto analisar um resultado por causa da minha presença.
 
SEGUIR O CAMINHO DO SEEDORF?
– Posso, sim, seguir o caminho do Seedorf. aproveito para parabenizá-lo pela carreira que teve. É uma oportunidade excelente que está tendo e fez o correto. Não recebi convite do Lyon (FRA). Existe a possibilidade de voltar ao Lyon, mas quero viver a Copa do Mundo no Brasil como brasileiro. Ainda não me sinto preparado para assumir um time que nem ele (Seedorf) vai assumir. O Milan foi correto e está na frente do Lyon.
 
ELEIÇÕES DO VASCO NO MEIO DO ANO
– Não vou me envolver politicamente no Vasco, mas acho que tudo o que acontece na parte política não pode chegar ao vestiário. O Rodrigo Caetano voltou preparado para isso. Espero que as pessoas que entrem no Vasco pensem no clube, que tem uma dívida impressionante e tem várias pessoas querendo entrar. Isso levanta uma suspeita. Espero que o sócio de verdade defina a eleição.
 
Fonte: LANCENET!
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