Improvisação, timidez e venda fictícia: a trajetória dos novos alas do Vasco


As contratações de André Rocha e Marlon, apresentados juntos em São Januário na terça-feira, devem fechar a defesa do Vasco para o primeiro semestre, como sinalizou o presidente Roberto Dinamite. Ambos os laterais chegaram sem custos aos cofres e com status de apostas, já que se tratam de desconhecidos da maioria dos torcedores cariocas. Suas trajetórias, no entanto, estão carregadas de episódios que misturam ostracismo, redenção e curiosidades que agregaram à longa bagagem da dupla, com 29 e 28 anos, respectivamente. Agora, entre cobrança e expectativa, encaram a chance da vida na prova de fogo cruz-maltina chamada Série B.

Info Pontos Fortes Fracos Contratados Vasco (Foto: Editoria de Arte)

O GloboEsporte.com passou a limpo os motivos que afastaram a dupla do estrelato até hoje e encontrou explicações e características de jogo opostas. Enquanto o novo dono do lado direito costuma ser querido pelos técnicos em virtude de sua obediência e versatilidade, mas pena para conquistar as arquibancadas por suas limitações, o canhoto, comparado a um tetracampeão do mundo, teve suas principais oportunidades frustradas e viu a timidez frear seu crescimento. 


MODERNIDADE SEM APLAUSOS


O paulista André Rocha até alcançou uma ascensão meteórica ao acertar com o Palmeiras depois de se destacar na Portuguesa Santista, em 2003. Não deu certo e foi para o Atlético-PR, pelo qual disputou a Libertadores de 2005. Porém, no Furacão foi improvisado e revezou entre o banco e a titularidade como volante, já que em setor de origem Jancarlos, que morreu em 2013, comandava. Sem espaço a partir de 2007, foi emprestado ao Dallas, dos EUA, clube com o qual o time rubro-negro mantinha parceria. Posteriormente, após rápida passagem também sem brilho pela Ponte Preta, a peregrinação o levou mais longe: o Panetolikos, da Grécia foi o destino.

É considerado por seus ex-treinadores como um jogador moderno por se adaptar à linha de quatro defensiva e cumprir à risca as determinações. Com 1,86m de estatura, é seguro na marcação e bom pelo alto, mas sofre com o estigma de não ser regular e ofensivo. Foi comandado por Adilson Batista no Figueirense, que o repatriou há menos de um ano. Seu estilo nada tem a ver, por exemplo, com Fagner, a quem os vascaínos se afeiçoaram ultimamente.

A ira da torcida do Figueira com André Rocha foi despertada quando a campanha em 2013 não era positiva. Ele foi vendido de forma fictícia na internet por R$ 1,99, e foi alvo de pichação no muro do estádio com os dizeres “acorda, André Rocha”. Durante o período, foi barrado por cinco partidas pelo técnico seguinte, Vinícius Eutrópio, mas a chacoalhada deu certo, pois acordou na reta final ao subir de produção – ainda que não tenha sido suficiente para garantir a renovação.

– Ele viveu um momento complicado no ano, mas, no decorrer do campeonato, principalmente na fase final, o André superou as dúvidas e cresceu com o time todo. Tem uma característica de força muito marcante, sabe trabalhar na linha de quatro e tem como principal arma a bola parada. Obviamente não tem o drible, é um jogador alto e sem tanta mobilidade, mas para o futebol moderno é, sim, eficiente – avaliou Eutrópio, que foi auxiliar no Atlético-PR de 2005.

O lateral-direito fez 26 jogos na Série B, não marcou gols, deu duas assistências e não figurou nas seleções dos melhores da competição por posição. Curiosamente com o próprio Adilson ele voltou a ser volante, quando o elenco carecia de alternativas. A tentativa não vingou. 

PARAÇÃO A BRANCO


Natural de Belém, Marlon só saiu do Pará aos 25 anos, depois de passagens por Pinheirense, Tuna Luso e Remo, pelo qual se destacou em 2009 e 2010. No Vila Nova-GO, porém, mesmo sendo titular em diversos jogos, sequer chegou ao segundo semestre por conta de uma reformulação no grupo. Sem empresário forte no mercado, deu um passo atrás para retornar à sua casa e assinar com o Ananindeua. Surgiu, então, a chance de atravessar o país. Pelo Novo Hamburgo ganhou o prêmio de melhor lateral-esquerdo do Gauchão em 2012.

Contratado pelo Criciúma para Série B da mesma temporada, logo conquistou os torcedores com boas atuações. O Tigre fez um esforço para mantê-lo e viu Marlon ser eleito o melhor do setor no Catarinense deste ano. Seu desempenho, entretanto, caiu, e o próprio jogador admitiu que não estava em sua melhor condição física. Um dos que o ajudaram a levantar foi o assessor de imprensa do clube, Fernando Ribeiro, que se tornou um amigo próximo e lhe ajudou a driblar a timidez excessiva. Marlon, inclusive, quis levá-lo junto quando a transferência para o Vasco saiu. Além disso, em outubro nasceu Sophia, fruto do casamento com Patrícia.

Para o técnico Argel, que o treinou no Criciúma, Marlon se assemelha a Branco, tetracampeão mundial com a Seleção em 1994 e ídolo do Fluminense e seu ex-companheiro de Inter. Sua força e seu chute potente são a justificativa para os elogios mais do que rasgados.

– Foi uma grande contratação do Vasco. Ele fez a opção de não ficar no Criciúma. É um prêmio para a carreira dele, pois fez um Brasileiro fantástico. Marlon e Sueliton (lateral-direito, que também interessou ao Vasco) eram os pontos fortes da equipe. Tem um chute forte, é altamente profissional, tranquilo e tem uma força sobrenatural. É difícil achar um lateral do tamanho dele (1,82m) com bom nível. Lembra muito o Branco por ser vigoroso e pelo chute.

Argel admite que seu ex-pupilo é introspectivo e isso até pode ter lhe atrapalhado no caminho.

– Ele não é muito de falar mesmo. Não puxa o grupo, não é esse cara da liderança. Aos poucos, com a experiência, vem equilibrando isso. Mas faz a parte dele, sabe se colocar em seu lugar.

Marlon terminou o Brasileirão com 34 partidas disputadas, dois gols e três assistências. Sua média de notas no Troféu Armando Nogueira foi 5,78, a oitava melhor entre os laterais-esquerdos. Ele admitiu que teve proposta do Palmeiras, mas preferiu o Vasco, time do coração do pai. Além disso, Grêmio e Inter o sondaram. O vínculo com o clube carioca é de dois anos.

Fonte: Globo.com

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