Diretor do Vasco frisa: 'Há limite, não dá para pagar operação e passivo'


Cristiano Koehler CEO vasco (Foto: Marcelo Sadio / Vasco.com.br)

Pouco depois de 17h, minutos após a apresentação do amigo e de novo diretor do clube Rodrigo Caetano, Cristiano Koehler saía do departamento de futebol e se encaminhava para a sua sala quando foi parado por dois torcedores. Vascaínos de fora do Rio, eles pediam para tirar foto com o diretor geral do clube. Antes de atendê-los, porém, o executivo conversou com o novo vice-presidente de finanças, Jayme Lisboa Alves, e com o presidente do Conselho Deliberativo, Abílio Borges. Foram longos minutos com respostas e explicações sobre a situação financeira do clube. As interceptações evidenciam o destaque que o gaúcho descendente de alemão ganhou em 2013 no Vasco. Com o rosto conhecido por vascaínos, ele foi questionado e cobrado desde as redes sociais e arquibancadas, passando por vice-presidentes e conselheiros.

Sobrevivente depois de semanas com a cabeça a prêmio, Koehler comemora a chegada de Rodrigo Caetano ao clube. Apesar de perdas na gestão executiva – entre os executivos do jurídico, do marketing, de planejamento e do financeiro, um ou no máximo dois deles devem permanecer. Mesmo assim, em tempo curto. 

Realista, Koehler não muda o discurso após atravessar a tempestade e ainda se preparar para uma renegociação que deve atingir todo o clube: a de ajuste de salários. Os seus vencimentos podem ser reduzidos pela metade, em processo de reformulação financeira pelo qual vai passar todo o clube vascaíno. E os ajustes não mudam muito as necessidades do Vasco.

– Para conseguir tocar o clube, conseguir o caixa, existe sempre a expectativa de no final do ano conseguir receita com a venda de um ou dois jogadores. Dependendo da necessidade efetiva, teremos que vender – admite Koehler, citando ainda outras arrecadações que ele reconhece a necessidade de alavancar: receitas com programa de sócios e patrocinadores.

Com a venda de Marlone, o Vasco arrecadou menos de R$ 4 milhões. Porém, ao longo de 2013, foram quase R$ 30 milhões, com as negociações de Douglas, Dedé, Eder Luis, Danilo e o meia-atacante, novo jogador do Cruzeiro. Questionado se as vendas podem acontecer neste momento, pouco depois da saída da Marlone, Cristiano Koehler não esconde o jogo.

– Além do Marlone, para fechar o caixa, podemos vender mais um ou dois jogadores. O mercado, nesse momento de janela, tende a fazer oferta. Faz a procura e a proposta. Há jogadores interessantes, como Henrique, que já passou por seleção, o Thalles. Natural que se for do agrado da diretoria tenhamos que negociar. No mundo ideal, dos clubes brasileiros, se um dia sanearem seus passivos, vai se manter gerações, não precisar vender. Mas não vivemos assim ainda. Nem o Vasco nem outros grandes clubes brasileiros.

Modelo misto de gestão

Sem querer alimentar polêmicas com as saídas de diretores executivos – Gustavo Pinheiro, do jurídico, ainda pode ficar mais poucos meses para ajudar na transição, mas Miguel Gomes e Henry Canfield, de planejamento e do marketing, só ficam até o fim de janeiro – e o cabo de guerra das últimas semanas, Koehler vê no modelo híbrido de gestão – com menos diretores remunerados e novos vice-presidentes – uma chance de sucesso e de continuidade dos projetos pendentes do ano passado.

– O clube agora retoma uma gestão mista, do viés político com o profissional. Entendendo que este é o melhor modelo de gestão com a participação de todos em busca dos objetivos e metas desejados – diz Koehler.

O diretor geral vê como fundamental uma renegociação de contrato com fornacedora de material esportivo (Penalty) no meio do ano, além de outras receitas, como em novo patrocinador para substituir a Nissan, mas sem grandes possibilidades de ajustes no corpo funcional do clube neste momento. Isto porque o Vasco, para fazer ajustes em pessoal – o clube demitiu cerca de 50 funcionários ao longo de 2013 -, precisaria entrar em acordo com o sindicato dos empregados de clubes do Rio, pagar dívidas atrasadas e outros ajustes trabalhistas antes de realizar as rescisões. Uma estimativa é de que esta operação completa custaria mais
de R$ 2 milhões. 

– Há um limite, não consigo pagar operação e passivo do Vasco com as receitas de hoje. A receita é óbvia: aumentar receitas e diminuir despesas, mas, repito, há um limite – diz o CEO, que pegou empréstimos no seu nome ao longo de 2013.

Corte de R$ 2 milhões na folha do futebol

O limite em 2014, com o clube na Segunda Divisão, é mais raso. O diretor geral do Vasco afirma, de forma objetiva, que o clube busca redução brusca da folha de pagamento do futebol. Hoje, o clube ainda paga R$ 4,5 milhões mensais somente para os vencimentos do departamento de futebol de São Januário.

– Queremos diminuir a folha em R$ 2 milhões. Teremos então R$ 2,5 milhões de folha – explica Koehler. 

Para ele, a chegada de Rodrigo Caetano é decisiva para os ajustes e o mínimo equilíbrio das contas do futebol do clube. Com sete jogadores afastados, salários altos para alguns deles, a negociação caso a caso vai ser fundamental para o Vasco enxugar o elenco, cortar gastos e ainda se qualificar gastando muito menos.

– A estrutura que está sendo montada, com a volta do Rodrigo, é para gerar um benefício maior que o custo. Um time competitivo e viável financeiramente. O ano vai ser de dificuldades financeiras, mas o clube vai, com seu modelo atual, buscar soluções permanentes. Temos que buscar equilíbrio: nem só pensar na dívida, nem só pensar no time. Por isso a importância da operação do Rodrigo. Ele está montando a melhor estratégia para gerenciar essas movimentações (dos afastados), vendo como vai tratar, porque todos têm sua peculiaridade, seu tempo de contrato, tem a dívida, série de coisas que têm que ser tratada – lembra Koehler. 

Fonte: Globo.com

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