Sem beijo na rua: de volta ao Brasil, ex-Vasco fala como é a sede da Copa de 2022

Imagine você ser preso por dar um simples beijo na rua como forma de carinho em sua companheira ou em seu companheiro. Ou ser detido por tomar aquela tradicional cervejinha fora de casa, em algum local público.

Estas são algumas das histórias e aprendizados que o atacante Robinho, ex-Vasco, Volta Redonda e Madureira, trouxe na bagagem para o Brasil após atuar no futebol do Marrocos e no Catar, sede da próxima Copa do Mundo.

Robinho nos tempos de Vasco (Foto: Marcelo Sadio / Vasco.com.br)

Robinho nos tempos de Vasco (Foto: Marcelo Sadio / Vasco.com.br)

De volta ao país há cerca de um mês após defender o OC Safi-MAR e Al-Mesaimeer-QA, o jogador de 30 anos vem mantendo a forma no Rio de Janeiro enquanto não acerta com um novo clube e conversou de forma descontraída com o GloboEsporte.com sobre a carreira.

Entre dicas para os torcedores que motivados pela Copa da Rússia pretendem acompanhar o Mundial de 2022, o atacante recordou causos inusitados como o do dia em que foi detido no Marrocos ou de quando arrumou “confusão” com um taxista por uma simples troca de carinho com a eposa.

– Lá no Catar tem uma coisa curiosa é que você não pode beijar na rua. A minha sorte é que cheguei lá sabendo, pois tinha passado por uma situação chata no Marrocos, que é assim também. Uma vez entrei em um táxi com minha mulher e dei uma beijo nela no banco de trás. O taxista ficou muito bravo, queria chamar a polícia e tudo. Começou a me xingar, e os xingamentos você aprende rápido (risos). Na hora fiquei nervoso, não conseguia falar a língua. Mas consegui contornar a situação e me safar na hora. Depois vi que estávamos errados. Temos que respeitar a cultura deles.

Robinho recorda idolatria no Marrocos (Foto: Reprodução)

Robinho recorda idolatria no Marrocos (Foto: Reprodução)

Campeão da Série B do Campeonato Brasileiro com o Cruz-Maltino em 2009 e conhecido por ser “parça” do zagueiro Dedé, do Cruzeiro, o atacante, que também é natural de Volta Redonda, recordou ainda as passagens pelo futebol carioca e falou sobre o peso da camisa vascaína no exterior.

– Eu tenho um carinho muito grande pelo clube. A maioria da minha família é vascaína, eu já sabia da grandeza do clube antes de jogar lá. Mas ter vestido a camisa do Vasco foi muito marcante. E em todos os clubes que joguei pelo mundo, todo mundo sempre conhecia e falava bem. Perguntavam você jogou no “Vasco da Gama?”. Era especial – afirma Robinho, em entrevista sobre as aventuras no Marrocos, a passagem pelo Vasco e a vida no Catar que você confere abaixo.

A vida no Catar

– Foi uma experiência muito boa no Catar. É um país muito desenvolvido, tudo funciona direitinho. Eu e minha família vivemos super bem. Tenho certeza que será uma das melhores Copas. A população gosta de tratar bem, receber bem. Tenho certeza que vai deixar boa impressão. As construções estão a todo favor. Creio que não veremos aqueles problemas de atrasos como ocorreu no Brasil. Lá tem lugares maravilhosos. Vai ser diferenciado.

Robinho está de volta ao Brasil após atuar no Marrocos e no Catar (Foto: Divulgação)

Robinho está de volta ao Brasil após atuar no Marrocos e no Catar (Foto: Divulgação)

Dicas para quem quer curtir a Copa

– O alerta que eu dou é em relação as leis, como as coisas funcionam. Vocês precisa estar pode dentro, pois lá é tudo muito organizado mesmo. Eu acredito que vão mudar algumas coisas para o mundial, mas, hoje, lá você não pode beber na rua. Você é preso mesmo se te pegarem bebendo. E não tem como argumentar. Tem a questão do turismo também. Você fica um mês como turista, depois disso, passa a ficar ilegal e pode ser até preso. Tem que ficar atento com isto.

Robinho guarda com carinho as reportagens do que viveu no exterior (Foto: Reprodução)

Robinho guarda com carinho as reportagens do que viveu no exterior (Foto: Reprodução)

Culinária mundial

– Eu acredito que a comida não será uma problema. O país está muito avançado e tem restaurantes de todo o mundo. O país já está muito aberto. Você consegue comer até mesmo “comida brasileira” lá. Temos churrascarias e tudo mais. No Marrocos já seria diferente. Comer lá para quem não está acostumado é um pouco mais complicado. Mas no Catar isso vai ser tranquilo.

Quase prisão no Marrocos

– Rapaz, o Catar é muito organizado. Mas o Marrocos não é assim. Eu cheguei a ser “preso” no Marrocos por conta da falta de organização. Eu tive que vir para o Brasil enquanto jogava lá. No Catar, em uma semana o visto está pronto, tudo ok. Mas no Marrocos, o clube não organizou nada. E quando voltei, fui detido no aeroporto. Queriam me levar para a cadeia falando que eu estava ilegal. Fiquei duas horas e meia em uma sala esperando sem ter culpa. A sorte é que consegui falar com o presidente do clube, que fez toda a burocracia e me liberaram depois. Mas já estavam me fichando e tudo. Quase vou para a prisão por isso (risos).

Robinho está mantendo a forma no Rio (Foto: Divulgação)

Robinho está mantendo a forma no Rio (Foto: Divulgação)

Melhor futebol apresentado

– Falando de melhor momento atuando, no Marrocos eu vi o melhor da minha carreira. Na temporada 2015/2016 eu fui eleito o melhor estrangeiro do país. Foi uma experiência muito boa. A torcida me amava. Pintaram até uma foto minha em um muro da cidade. Ficavam na porta do clube para me oferecer carona quando eu não ia de carro. Lá, quando eles gostam da pessoa eles dão flores e eu sempre recebia. Era um carinho muito grande. E eles são fanáticos também. Já joguei em estádio com 60, 70 mil pessoas. Foi um período marcante. Eu era reconhecido em todos os lugares.

Torcida do Vasco emociona até hoje

– No Vasco eu vivi a realização da minha carreira. Poder jogar em um clube grande foi algo muito especial. Ainda sonho em voltar um dia. Com certeza foi o melhor clube da minha carreira. Pude viver muitas emoções lá. Em 2013 o time não viveu um bom momento, acabou caíndo, não foi legal. Mas o que me marcou foi que em 2009, mesmo jogando a Série B, a torcida abraçou o time. Empurrava o time nos estádios sempre lotados. Ficou marcado demais. Era de arrepiar.

Amizade de longa data

– Eu não tenho como dar uma entrevista sem falar do Dedé. Sou padrinho de casamento dele. Somos da mesma cidade, começamos a jogar juntos e fomos subindo juntos. Somos amigos de infância. E ele me ajudou muito no meu retorno ao Vasco em 2013, deu forças e até mesmo falou bem de mim para a diretoria. É um amigo que vou levar para a vida toda. Estamos sempre juntos.

Dedé e Robinho são amigos desde a infância (Foto: Marcelo Sadio / Vasco.com.br)

Dedé e Robinho são amigos desde a infância (Foto: Marcelo Sadio / Vasco.com.br)

Retorno ao futebol brasileiro

– Eu gostaria de voltar a jogar em um grande do Brasil agora. A gente sempre sonha em poder jogar em uma equipe de ponta. Voltei ao Brasil tem um mês, estou sem empresário, mas mantendo algumas conversas para voltar a jogar aqui. Venho mantendo a forma com o mesmo preparador físico do Vágner Love no Rio, o Erick Sloboda, e trabalhando também com o fisioterapeuta Márcio Puglia. Estou me preparando para voltar a atuar o quanto antes.

A carreira de Robinho

Natural de Volta Redonda, Robinho surgiu no Voltaço, equipe da cidade, em 2009. Os gols chamaram a atenção do Vasco, onde foi contratado e conquistou a Série B do Campeonato Brasileiro do mesmo ano.

Robinho no Vasco (Foto: Marcelo Sadio / Vasco.com.br)

Robinho no Vasco (Foto: Marcelo Sadio / Vasco.com.br)

Após deixar o clube na temporada 2010/2011, defendeu o Al Sharjah, dos Emirados Árabes. No retorno ao Brasil, jogou pelo Guarani antes de atuar novamente pelo Cruz-Maltino.

Antes de deixar o país rumo ao Marrocos, jogou ainda pelo Madureira. No ano passado e este ano, atuou pelo Al-Mesaimeer, do Catar.

Fonte: GloboEsporte.com

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