Eurico Miranda no Vasco: Totalitarismo, coronelismo ou monarquia?

Não é de hoje que se cobra mais transparência nas ações tomadas pela atual diretoria do Vasco, comandada pelo presidente Eurico Miranda. Há mais de 50 anos no clube, onde começou como diretor de cadastro, em 1967, é talvez, o dirigente com a mais extensa folha de serviços prestados ao Cruz-Maltino. Porém, nem mesmo esse currículo invejável é capaz de mascarar a toxicidade da sua presença ao longo do tempo. Apesar de o regime político adotado no Vasco remeter à uma democracia, o que vemos através do tempo se assemelhe mais a um totalitarismo misturado com um certo tom coronelista. Neste último mandato de Eurico Miranda, até mesmo um tempero monárquico foi acrescentado, com a escolha do seu filho para a vice-presidência de futebol.

Ao longo da história, não só no futebol, mas em todos os cantos do mundo assistimos à personalidades políticas que justificaram a sua permanência no poder como única forma de manter a estabilidade e a continuidade de um plano de crescimento. Em 1959, quando Fidel Castro livrou Cuba de ser um prostíbulo dos Estados Unidos, a expectativa era a de um futuro promissor, baseado na democracia. Ideologias à parte, o povo cubano restabeleceu os seus direitos básicos. Mas errou Fidel quando não colocou o país na rota em direção à transição para a democracia e permaneceu no poder por décadas. Fez mal ao país. Nesse sentido, também vimos em diversas oportunidades, o presidente Eurico Miranda dizer que não via outra pessoa com condições de comandar o Vasco. Ora, por que não então estimular o processo democrático e facilitar o surgimento de nomes que pudessem sucedê-lo? Nomes estes que, quando apareciam, era dizimados pelo dirigente.

Assim como no coronelismo, prática política usada na Primeira República (1889-1930) no Brasil, Eurico Miranda praticou ações retrógradas em quase todas áreas do clube, principalmente nas relações de marketing e de imprensa. Cercou-se de bibelôs ao invés de investir em pessoas capacitadas que pudesse auxiliá-lo no comando de um clube gigantesco. Centralizou e dificultou a modernização do Vasco. Com uma imagem desgastada no cenário do futebol e sem a força de bastidores que, em tempos antigos eram uma prática comum, o Vasco patinou, parou no tempo.

O episódio da última eleição fez, mais uma vez, a lisura do processo ser questionada, devido à avalanche de denúncias e da falta de transparência de certas questões, como a da famosa urna 7. Se foi fraudada ou não, somente a Justiça vai poder dizer. O que o torcedor do Vasco espera, neste momento, é mais responsabilidade por parte das pessoas que o comandam, sejam as que ainda estão no poder ou daquelas que ainda virão nos próximos tempos. Os interesses pessoais já atrapalharam demais o caminho do Gigante da Colina.

Fonte:  – L!

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